
Um dos maiores desafios enfrentados pela Venezuela após a série de terremotos que atingiram o país no início de 2024 é a localização de aproximadamente 40 mil familiares desaparecidos, segundo informações da Comissão Nacional de Emergências (CNE). A onda de sismos, que incluiu um abalo de magnitude 7,3 na escala Richter em fevereiro, devastou cidades como Carúpano, na região leste do país, deixando milhares de desabrigados e interrompendo a comunicação em áreas rurais.
Segundo dados do governo, mais de 1,2 milhão de pessoas foram afetadas diretamente pelos tremores, que destruíram infraestrutura crítica, como hospitais e escolas. A busca por sobreviventes e desaparecidos mobilizou equipes de resgate locais e internacionais, incluindo grupos da Cruz Vermelha e da ONU. A falta de recursos e a dificuldade de acesso a regiões montanhosas agravaram os esforços de busca e salvamento.
Relatos de moradores indicam que famílias inteiras foram separadas durante o caos gerado pelos tremores. “Minha irmã sumiu durante o segundo abalo. Acreditamos que ela esteja viva em algum abrigo, mas não encontramos informações concretas”, disse a professora de Carúpano, Lourdes Martínez, que participa de campanhas voluntárias para reunificar famílias. O governo venezuelano estabeleceu um sistema de identificação digital para facilitar a localização de desaparecidos, mas a implementação encontra barreiras devido à crise energética que afeta o país.
Organizações humanitárias alertam para o risco de doenças em acampamentos improvisados, onde a falta de água potável e alimentos aumenta a vulnerabilidade da população. A OMS (Organização Mundial da Saúde) doou 17 toneladas de medicamentos e equipamentos médicos para atender aos sobreviventes. Apesar dos esforços, críticas foram feitas à lentidão na resposta governamental, com denúncias de que equipes de resgate não receberam suporte adequado.
A situação gera impacto psicológico profundo, especialmente entre crianças. Em uma entrevista à RFI, a psicóloga Marisela Rojas destacou: “A perda de contato com familiares e a destruição do ambiente familiar estão causando traumas de longo prazo. Muitas crianças se recusam a sair de casa por medo de novos tremores.”
Enquanto as buscas continuam, a comunidade internacional reforçou a necessidade de cooperação para reconstruir a região. O governo venezuelano anunciou planos para reconstruir 185 escolas e 12 hospitais, mas especialistas questionam a viabilidade dos projetos diante da instabilidade econômica do país. Para as famílias desaparecidas, cada hora é uma batalha contra o tempo e a incerteza.
Atualizações sobre o caso são disponibilizadas no site da CNE (www.cne.gob.ve/terremotos). A comunidade internacional pode doar recursos ou equipamentos por meio da plataforma criada pela ONU (www.unocha.ve/ajude).