Israel chama críticos de “papagaios” antes de discurso de Netanyahu na ONU

Israel elevou o tom contra os países que criticam sua atuação militar na Faixa de Gaza na véspera do discurso do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu na Assembleia Geral das Nações Unidas. Autoridades israelenses classificaram parte das críticas internacionais como repetição automática de acusações e usaram o termo “papagaios” para se referir aos governos que, segundo Israel, reproduzem a mesma narrativa contra o país.

A declaração ocorreu em um momento de forte pressão diplomática sobre o governo israelense. Netanyahu era esperado em Nova York para discursar na 79ª Assembleia Geral da ONU, em meio à continuidade da guerra em Gaza e ao aumento das críticas sobre o número de vítimas civis, a crise humanitária e as restrições à entrada de ajuda no território palestino.

Israel afirma que sua operação militar tem como objetivo eliminar o Hamas, grupo responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1,2 mil mortos e resultaram na tomada de centenas de reféns, segundo autoridades israelenses. Desde então, a ofensiva em Gaza provocou dezenas de milhares de mortes, de acordo com as autoridades de saúde locais, administradas pelo Hamas. Os números não fazem distinção entre combatentes e civis, mas organizações internacionais afirmam que mulheres e crianças estão entre as principais vítimas.

O governo israelense sustenta que o Hamas utiliza áreas residenciais, escolas e instalações médicas para operar e acusa o grupo de colocar a população civil em risco. O Hamas nega usar civis como escudos humanos e afirma que Israel é responsável por ataques indiscriminados e pela destruição de infraestrutura essencial.

A ofensiva também desencadeou medidas e processos em tribunais internacionais. Em janeiro e posteriormente em maio de 2024, a Corte Internacional de Justiça determinou medidas provisórias relacionadas à proteção da população palestina e à entrada de ajuda humanitária. Em julho, o tribunal emitiu um parecer segundo o qual a ocupação israelense dos territórios palestinos é ilegal, posição rejeitada pelo governo de Israel.

Além disso, o procurador do Tribunal Penal Internacional solicitou mandados de prisão contra Netanyahu, o então ministro da Defesa Yoav Gallant e dirigentes do Hamas. O pedido ainda dependia de decisão dos juízes e foi rejeitado por Israel, que acusou o tribunal de adotar uma postura política.

O discurso de Netanyahu na ONU ocorre tradicionalmente diante de uma plateia formada por chefes de Estado, ministros e representantes diplomáticos. A expectativa era de que o primeiro-ministro defendesse as ações de Israel, destacasse a ameaça representada pelo Hamas e cobrasse pressão internacional para a libertação dos reféns mantidos em Gaza.

Ao mesmo tempo, a presença de Netanyahu em Nova York poderia provocar manifestações e novos questionamentos sobre a condução da guerra. Países europeus e outras nações passaram a defender um cessar-fogo, enquanto alguns governos reconheceram oficialmente o Estado da Palestina em 2024. Israel considera essas iniciativas uma recompensa ao Hamas e afirma que o reconhecimento deve ocorrer somente após um acordo negociado.

A troca de acusações evidencia o isolamento diplomático crescente de Israel e a dificuldade de avanço nas negociações por um cessar-fogo. Mediadores do Egito, do Catar e dos Estados Unidos tentavam obter um acordo que previsse a libertação de reféns, a retirada gradual das tropas israelenses e a entrada ampliada de ajuda humanitária em Gaza.

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