
Um estudo publicado na revista Science e conduzido por uma equipe internacional de cientistas revela que o mundo abriga aproximadamente 20 milhões de espécies de insetos, uma estimativa 2,5 vezes maior do que as 8 milhões previamente calculadas. A pesquisa, liderada por pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Museu de História Natural de Londres, utilizou técnicas avançadas de análise de dados genéticos e modelos de distribuição espacial para chegar a essa conclusão.
Os insetos compõem a maior parcela da biodiversidade animal conhecida, representando mais de 80% de todas as espécies descritas. No entanto, a maioria das estimativas anteriores subestimava a sua diversidade devido às dificuldades de amostragem em ambientes remotos e à falta de recursos para catalogar espécies em regiões tropicais. A nova pesquisa destaca que os habitats mais biodiversos, como a Amazônia e a Indonésia, são responsáveis por mais da metade das novas descobertas.
Segundo os autores, a metodologia incluiu a análise de dados de 500 mil espécies já catalogadas, combinados com algoritmos que previram a presença de espécies em áreas não amostradas. “Essa abordagem combina dados reais com projeções estatísticas para oferecer uma estimativa mais precisa da diversidade de insetos”, explicou o Dr. James Smith, um dos coordenadores do estudo. A pesquisa também destacou que apenas 1 milhão de espécies de insetos foram oficialmente descritas até o momento.
A estimativa de 20 milhões de espécies eleva a importância dos insetos no equilíbrio dos ecossistemas. Eles desempenham papéis críticos como polinizadores, decompositores e alimento para outros organismos. A perda de biodiversidade de insetos, associada a fatores como desmatamento e mudanças climáticas, pode ter consequências imprevisíveis para sistemas naturais e para a agricultura.
O estudo também alerta para a crise de conservação dos insetos. “A cada ano, dezenas de milhares de espécies podem estar desaparecendo antes mesmo de serem descobertas”, afirmou a Dra. Ana Silva, coautora do trabalho. Esforços globais para mapear e proteger habitats críticos são considerados essenciais para mitigar essa perda. O grupo de pesquisa colabora com organizações ambientalistas para promover políticas de preservação.
A descoberta reforça a necessidade de investimentos em biodiversidade e ciência. Segundo a organização Global Biodiversity Information Facility (GBIF), apenas 10% das espécies de insetos são monitoradas regularmente, o que limita a compreensão de sua distribuição e vulnerabilidade. A comunidade científica aponta para a necessidade de tecnologias como inteligência artificial e sequenciamento de DNA em larga escala para acelerar o inventário global.
O artigo conclui com um apelo à sociedade para reconhecer o valor dos insetos, mesmo aqueles considerados “insetos-praga”. “Cada espécie tem um papel ecológico, e a perda de qualquer uma pode ter efeitos cascata”, concluiu o Dr. Smith. A pesquisa foi financiada por fundos da União Europeia e do Conselho Nacional de Ciência dos EUA.