
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgou na última semana uma resolução que proíbe a comercialização de um suplemento nutricional identificado como “EnergyMax Plus”, considerado irregular após análise de risco à saúde. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, também resultou na suspensão de lotes de creatina fabricados por quatro laboratórios, após a detecção de substâncias não declaradas em amostras coletadas durante auditorias. A medida atinge diretamente empresas com atuação nacional, como a Suplementos SA e a PowerTech, que respondem por 75% do mercado de suplementos no país.
De acordo com a ANVISA, o “EnergyMax Plus” continha anfetamina sintética em concentrações acima do permitido, substância proibida por lei desde 2018. “A presença de ingredientes não registrados em produtos de consumo popular representa um risco grave, especialmente para grupos de risco como hipertensos e gestantes”, afirmou o coordenador de Vigilância Sanitária, Dr. Carlos Mendes, em coletiva de imprensa. A agência também destacou que a creatina suspensa teria traços de metanfetamina, uma substância psicoestimulante com potencial de dependência.
As empresas afetadas têm prazo de 15 dias para retirar os produtos do mercado e comunicar aos consumidores a suspensão. A ANVISA informou que intensificará as fiscalizações em laboratórios e lojas de suplementos, com foco em embalagens que não contenham a devida autorização do órgão. “Estamos ampliando nossa base de monitoramento para garantir que produtos como os suspensos sejam identificados e retirados antes de chegar aos consumidores”, explicou o diretor-geral da ANVISA, Dr. Luís Henrique Ferreira.
O Conselho Federal de Farmácia (CFB) emitiu nota de apoio à decisão, reforçando a necessidade de controle rigoroso sobre suplementos que prometem resultados “mirabolantes” sem comprovação científica. “Há um mercado paralelo que vende produtos duvidosos com rótulos enganosos. A sociedade precisa entender que a saúde não é um experimento”, alertou o presidente do CFB, Farmacêutico Wagner Lopes.
Consumidores que adquiriram os produtos suspensos podem solicitar reembolso por meio dos canais de atendimento das empresas. A ANVISA também lançou um portal de verificação de lotes (www.anvisa.gov.br/verifica) para que os cidadãos chequem a legalidade de suplementos em uso. A agência reforçou que produtos irregulares podem causar efeitos colaterais, incluindo insônia, náuseas e aumento da pressão arterial.
Com a decisão, a ANVISA espera reduzir em 30% os casos de intoxicação por suplementos em 2024. A ação faz parte de uma campanha nacional de conscientização, com parcerias com a TV Escola e o Ministério da Saúde. “Queremos quebrar a cultura de consumo de produtos não regulamentados”, afirmou Dr. Ferreira, destacando o papel do consumidor em relatar suspeitas à agência.
Apesar da proibição, a indústria de suplementos respondeu com preocupação. O Sindicato Nacional da Indústria de Suplementos (SINAS) informou que os custos de adequação regulatória são “excessivos” para pequenas empresas. “Precisamos de um diálogo com o governo para evitar a quebra de milhares de pequenos fabricantes”, disse o presidente do sindicato, José Almeida. A ANVISA, por sua vez, reiterou que as regras são necessárias para garantir a segurança do público.