
A infertilidade é uma condição que pode afetar mulheres e homens e nem sempre apresenta sinais evidentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela é caracterizada pela ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares, sem uso de métodos contraceptivos. A recomendação considera casais em que a mulher tem menos de 35 anos. A partir dessa idade, a investigação costuma ser indicada depois de seis meses de tentativas.
A idade é um dos fatores que influenciam a fertilidade, especialmente entre as mulheres, devido à redução gradual da quantidade e da qualidade dos óvulos. Para mulheres com mais de 40 anos, especialistas recomendam procurar avaliação médica já no início das tentativas, sem esperar os prazos tradicionais. No entanto, a infertilidade também pode estar relacionada a alterações no sistema reprodutivo masculino, infecções, doenças crônicas, fatores hormonais e hábitos de vida.
Em muitos casos, não há sintomas específicos. A ausência de gravidez pode ser o único sinal. Ainda assim, algumas alterações indicam a necessidade de uma consulta antes do período de 12 ou seis meses. Entre elas estão menstruações irregulares ou ausentes, sangramentos muito intensos, dores pélvicas, dor durante as relações sexuais e histórico de endometriose, síndrome dos ovários policísticos ou doenças inflamatórias pélvicas.
Também devem buscar avaliação mulheres que tenham passado por cirurgias nos ovários ou no útero, tratamentos contra o câncer, gravidez ectópica ou abortos recorrentes. No caso dos homens, sinais como dificuldade de ereção ou ejaculação, dor ou aumento na região dos testículos, redução importante do volume de sêmen e histórico de infecções ou cirurgias genitais podem estar associados a problemas de fertilidade.
A investigação deve envolver os dois parceiros. O processo geralmente começa com a análise do histórico clínico, do ciclo menstrual, de doenças anteriores e do uso de medicamentos. Entre os exames solicitados podem estar o espermograma, que avalia quantidade e qualidade dos espermatozoides; testes hormonais; ultrassonografia; exames para verificar as trompas e o útero; e, em situações específicas, testes genéticos.
O tratamento depende da causa identificada, da idade dos pacientes e do tempo de tentativa. Pode incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos para estimular a ovulação, cirurgia ou técnicas de reprodução assistida, como inseminação artificial e fertilização in vitro. Nem todos os casos exigem procedimentos complexos, e a escolha deve ser feita com acompanhamento de um especialista.
Fatores como tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas, obesidade e baixo peso podem prejudicar a capacidade reprodutiva. A manutenção de uma alimentação equilibrada, a prática de atividade física e o controle de doenças como diabetes e alterações da tireoide contribuem para a saúde geral, mas não substituem a avaliação médica.
O diagnóstico de infertilidade não deve ser feito apenas com base em sintomas ou pesquisas na internet. Pessoas que estejam tentando engravidar sem sucesso, ou que apresentem sinais de alerta, devem procurar um ginecologista, urologista ou especialista em reprodução humana. A investigação precoce pode identificar a causa e ampliar as possibilidades de tratamento.