ECONOMIA

PF adia novamente depoimento de Daniel Vorcaro em investigação sobre negócios entre Banco Master e BRB

A Polícia Federal adiou novamente o depoimento de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no inquérito que apura operações envolvendo a instituição financeira e o Banco de Brasília (BRB). A nova mudança prolonga a coleta de informações sobre negócios que colocaram as duas instituições no centro de uma investigação federal.

O depoimento é considerado relevante para esclarecer a estrutura das operações realizadas entre o Banco Master e o BRB, além da participação de executivos e empresas relacionadas ao grupo controlado por Vorcaro. A apuração busca identificar a origem dos recursos, a natureza dos ativos negociados e os procedimentos adotados nas transações.

O adiamento, por si só, não representa uma conclusão sobre a responsabilidade do empresário. Em investigações conduzidas pela Polícia Federal, depoimentos podem ser remarcados por razões processuais, logísticas ou relacionadas à preparação da defesa. A data de uma nova oitiva deverá ser definida pelas autoridades responsáveis pelo caso.

O caso ganhou relevância após a aproximação entre o Banco Master e o BRB. O banco público do Distrito Federal anunciou, em 2025, um acordo para adquirir o controle do Banco Master. A operação dependia de autorizações regulatórias, entre elas a análise do Banco Central, responsável por avaliar a solidez financeira do negócio e os riscos para o sistema.

As tratativas passaram a ser examinadas com atenção em razão da situação financeira do Banco Master e da natureza dos ativos incluídos nas operações. O Banco Central tem atribuição legal para fiscalizar instituições financeiras, analisar mudanças de controle e verificar se transações atendem às exigências de segurança, liquidez e governança.

A investigação da Polícia Federal também considera informações sobre a emissão, a negociação e a eventual contabilização de ativos financeiros. Os investigadores analisam documentos, contratos e registros bancários para verificar se os negócios seguiram as normas aplicáveis ou se houve apresentação de informações incompletas às instituições envolvidas.

O BRB afirma que suas operações são submetidas a mecanismos internos de controle e aos órgãos reguladores. O Banco Master, por sua vez, tem sustentado que atua dentro da legislação e que presta esclarecimentos às autoridades quando solicitado. As instituições e os investigados ainda poderão apresentar novas manifestações durante o andamento do inquérito.

A Polícia Federal não divulga, em regra, detalhes de diligências que estejam sob sigilo. Por isso, informações sobre o conteúdo exato dos depoimentos, documentos analisados e eventuais medidas futuras dependem de decisões judiciais ou de comunicados oficiais.

O adiamento do depoimento não interrompe a investigação. A PF pode continuar ouvindo outras pessoas, analisando dados financeiros e requisitando documentos enquanto aguarda a oitiva de Vorcaro. Ao final dessa etapa, o material reunido poderá ser encaminhado ao Ministério Público, que avaliará a existência de elementos para pedir novas diligências ou apresentar acusações à Justiça.

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