
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou, na quarta-feira (20/11), um novo financiamento de US$ 5,8 bilhões para apoiar a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa liderada por instituições multilaterais e governos. O anúncio foi feito durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica (COP15), em Montreal, com o objetivo de alinhar os esforços climáticos ao combate às desigualdades sociais.
Segundo o comunicado oficial do BID, os recursos serão destinados a projetos de agricultura sustentável, fortalecimento de sistemas de segurança alimentar e programas de geração de renda em países de baixa renda. A instituição destacou que 60% das ações financiadas focarão em comunidades vulneráveis da América Latina e do Caribe, regiões onde 28% da população ainda vive com menos de US$ 5,50 por dia.
A Aliança Global, formada por 21 organizações internacionais e 18 governos, busca atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 (Fome Zero) e 2 (Erradicação da Pobreza) até 2030. O BID explicou que parte dos fundos será destinada à criação de hubs tecnológicos para inovações agrícolas e ao fortalecimento de redes de distribuição de alimentos em áreas afetadas por crises climáticas.
Na cerimônia de anúncio, o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, afirmou que “essa parceria vai além da simples transferência de recursos. Trata-se de uma aposta em soluções baseadas em dados, transparência e governança participativa”. Ele destacou ainda que o BID está em contato com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para ampliar a abrangência do programa.
Critérios de seleção para os projetos beneficiários incluem a mensuração de impacto social, o engajamento de pequenos agricultores e a promoção da economia de base verde. A iniciativa conta com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que fornecerão relatórios periódicos sobre os avanços.
Conforme dados divulgados, 12,9% dos recursos serão destinados à capacitação de mulheres rurais, grupo que representa 43% da força de trabalho na agropecuária global, mas detém apenas 15% dos títulos de propriedade de terras. Especialistas observam que a iniciativa vem em um momento crítico, já que a inflação global reduziu 15% o poder de compra dos alimentos em 2023, segundo o Banco de Alimentos da ONU.
O anúncio gerou reações positivas de instituições como a Fundação Gavi, que destacou a importância de integrar esforços climáticos e sociais. Já a Rede de Ação por Direitos Alimentares questionou a ausência de metas quantitativas para redução da desnutrição infantil nos projetos.
Os primeiros beneficiários do programa devem ser anunciados em março de 2025, após a realização de audiências públicas e avaliação de riscos ambientais. O BID informou que está aberto a sugestões de parceiros locais e à participação de organizações da sociedade civil nos processos de planejamento.



