POLÍTICA

Ex-candidato preso após tiroteio em campanha eleitoral de 2022 na Bolívia

Um ex-candidato à presidência da Bolívia está preso após ter sido envolvido em um tiroteio durante a campanha eleitoral de 2022, informou a polícia nacional do país. O incidente ocorreu em maio de 2022, no município de El Alto, quando o então pré-candidato, identificado como Juan Carlos Méndez, teria disparado contra um grupo de manifestantes contrários à sua candidatura.

Segundo relatos da imprensa local, Méndez, que disputava uma vaga na chapa de um partido da oposição, foi surpreendido por uma manifestação em seu caminho. Durante o confronto, ele teria usado uma arma de fogo em uma tentativa de dispersar a multidão, resultando em ferimentos leves a dois manifestantes. A polícia afirma que o ex-candidato foi detido preventivamente enquanto investiga o caso por supostos crimes de porte ilegal de arma e uso de violência política.

A campanha eleitoral de 2022 na Bolívia foi marcada por frequentes episódios de violência, com confrontos entre partidos rivais e protestos contra o governo do então presidente Luis Arce. A oposição questionava a transparência das eleições e exigia reformas eleitorais, enquanto o governo acusava adversários de financiamento de atos de violência. O tiroteio em que Méndez participou reforçou as críticas à polarização política no país e à falta de segurança durante eventos eleitorais.

Em comunicado, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia afirmou que o caso será analisado sob a perspectiva da legislação eleitoral, que proíbe atos de violência durante campanhas. “Qualquer violação à lei eleitoral será tratada com seriedade para garantir o livre exercício do voto”, destacou o órgão. A família de Méndez afirmou que ele atuou em legítima defesa, alegando que os manifestantes teriam atacado seu veículo com pedras e objetos.

O caso revive debates sobre a segurança de pré-candidatos e a regulamentação de armas na Bolívia, país que tem uma das restrições mais rígidas do mundo em relação ao porte de armas. O Código Penal boliviano proíbe a posse de armas de fogo, exceto para forças armadas e agentes de segurança autorizados. Advocatas de direitos humanos criticam a impunidade em casos de uso de violência política, enquanto grupos de defesa da segurança argumentam que a legislação atual não é eficaz contra crimes eleitorais.

Após a prisão, Méndez foi levado à sede da polícia em La Paz para interrogatório. Ele enfrenta acusações de dois crimes: porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal. Se condenado, poderá enfrentar prisão preventiva e multas. A decisão judicial sobre o caso está prevista para os próximos dias. O incidente também gerou reações no Congresso Boliviano, onde deputados da oposição pedem uma investigação ampla sobre a segurança de campanhas eleitorais.

O caso é mais um capítulo de uma crise política que assombra a Bolívia desde as eleições de 2019, quando o então presidente Evo Morales foi acusado de corrupção e manipulação eleitoral. Apesar dos esforços do governo central por estabilização, episódios como o tiroteio em 2022 reforçam a tensão entre os setores políticos e a dificuldade de construção de consensos em um país com história de movimentos sociais intensos.

Enquanto a investigação avança, a população observa com cautela o impacto do caso no cenário eleitoral. As eleições de 2025 estão em abordagem, e partidos já discutem propostas para reduzir a violência política, incluindo campanhas de conscientização e reforço do apoio policial a pré-candidatos.

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