POLÍTICA

Operação da PF investiga televangelista Edir Macedo e bloqueio de R$ 670 milhões pela Justiça

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta semana uma operação investigativa contra o televangelista Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A ação, coordenada com o apoio do Ministério Público Federal (MPF), resultou no bloqueio de R$ 670 milhões em bens e contas vinculadas ao pastor, acusado de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

De acordo com o MPF, a operação está relacionada a uma investigação sobre supostas irregularidades na gestão de recursos de doações religiosas e em contratos com empresas associadas à IURD. A Justiça Federal destacou que o bloqueio de ativos visa assegurar a futura execução penal, caso se confirme a responsabilidade do réu.

Edir Macedo, que não foi preso durante a operação, é investigado há meses sob a suspeita de utilizar a estrutura da igreja para beneficiar interesses comerciais e familiares. O MPF aponta que recursos destinados ao pagamento de missas e campanhas foram desviados para investimentos em imóveis e veículos de comunicação.

A IURD, em nota oficial, informou que “não comentará ações judiciais em andamento” e reforçou o compromisso com a legalidade de suas atividades. A igreja, com mais de 40 anos de atuação no Brasil e 15 milhões de fiéis, já enfrentou outras investigações relacionadas a questões fiscais e administrativas.

O bloqueio de R$ 670 milhões inclui imóveis, aeronaves e contas bancárias em nome de pessoas físicas e jurídicas ligadas a Macedo. Autoridades destacaram que a operação faz parte de um esforço para combater práticas de corrupção em setores considerados tradicionalmente imunes a fiscalizações rigorosas.

O caso segue sob análise do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que pode solicitar a prisão do televangelista caso novas provas sejam encontradas. A operação também envolve a apreensão de documentos e o uso de interceptações telefônicas autorizadas por um juiz federal.

Advogados do réu afirmaram que apresentarão recursos para contestar o bloqueio de bens, alegando que as acusações são “sem fundamento jurídico”. A defesa também questiona a proporção das medidas adotadas pela Justiça.

A operação tem gerado debates sobre a relação entre religião e poder econômico no Brasil. Críticos destacam a necessidade de transparência em instituições que recebem grandes doações, enquanto defensores da IURD ressaltam seu papel social e cultural no país.

A PF informou que a investigação está em fase inicial e pode levar meses para concluir. Novas etapas da operação estão previstas para os próximos dias, com possíveis indiciamentos de colaboradores do televangelista.

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