
O governo federal e os principais atores políticos da Bahia intensificaram, nos últimos meses, as articulações para definir a sucessão de Jaques Wagner, governador do estado desde 2015. Com a expectativa de que o gestor anuncie oficialmente sua saída em janeiro de 2024, a disputa por influência no cenário local envolve nomes dos principais partidos aliados, como PT, PDT e Avante, que buscam assegurar indicações estratégicas.
Segundo fontes consultadas, o principal foco das negociações está na escolha do novo secretário estadual de Desenvolvimento, cargo que terá papel central no planejamento do orçamento de 2025. Atualmente, Wagner acumula a chefia do executivo estadual e o comando do PT baiano, posição que ele próprio espera repassar a um líder da base governista.
A articulação se dá em meio a um cenário eleitoral complexo: a eleição estadual de 2026 e as possíveis candidaturas a governador ainda não estão definidas. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB), e o senador Otto Alencar (Avante) são os principais nomes observados como possíveis sucessores, embora a definição dependa da manutenção da aliança atual entre PT e centrodireita.
O PT baiano, por sua vez, avalia a possibilidade de lançar candidatura própria, com o ex-secretário estadual de Infraestrutura, Marcus Pestana, como opção dentro do partido. Ainda assim, a necessidade de manter a base de apoio e evitar fragmentação do voto pesa sobre as decisões.
Na esfera federal, o presidente Lula reforçou recentemente a importância de manter o equilíbrio regional e econômico no governo baiano, destacando que a articulação local deve priorizar o desenvolvimento do semiárido e a ampliação de programas sociais. A presença do ministro da Integração Nacional, Alan Rick, em Salvador na semana passada foi interpretada como um sinal de apoio ao atual governador.
Para especialistas em política, a indefinição do plano de sucessão pode impactar diretamente o ritmo das obras e projetos em andamento, como a construção da Ferrovia do Nordeste e a ampliação do programa Mais Infância. “A estabilidade no comando governamental é crucial para projetos de longo prazo, e a falta de transparência nas negociações pode gerar insegurança”, afirma o professor de Ciência Política da UFBA, João Batista Alves.
A data provável para o anúncio formal de Wagner foi adiada devido a divergências internas entre os partidos da base. Enquanto o PDT pede mais tempo para consolidar alianças municipais, o PT insiste na necessidade de anunciar uma candidatura unificada até o primeiro semestre de 2024.
Com o cenário político em transformação, a atenção do mercado e da sociedade baiana se volta para as próximas semanas, quando se espera que o governador tome uma posição clara sobre seu futuro e defina os rumos da governabilidade no estado.
