POLÍTICA

Ex-deputado Hytalo Santos escreve carta durante prisão preventiva: “Tudo isso vai passar”

O ex-deputado federal Hytalo Santos (MDB-BA) escreveu uma carta pública durante o período em que cumpre prisão preventiva na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Em trecho divulgado por seus familiares, o político afirma: “Tudo isso vai passar. A verdade sempre prevalece, mas preciso da paciência de todos”. A prisão, decretada em 12 de junho, está relacionada a investigações sobre recebimento de propina em contratos públicos.

Segundo informações da PF, Hytalo foi flagrado em gravações de delações premiadas aceitando R$ 1,2 milhão em propina em 2021, durante a gestão do governo federal. O parlamentar, que deixou a Câmara em 2023 após ser cassado por fraude eleitoral, nega ter cometido irregularidades e afirma que está cooperando com a Justiça. “Não fugi da verdade e não tenho o que me arrepender”, disse em entrevista ao canal CNN Brasil.

Na carta, o político pede apoio à sua família e agradece ao advogado Luís Eduardo Greenhalgh por sua defesa. “Minha mulher e filhos são meu maior tesouro. Peço que me ajudem a manter a fé”, escreveu. A advogada da família, Maria Helena Alves, destacou que o ex-deputado “não é réu confesso” e que os benefícios da delação premiada poderiam livrá-lo da prisão, mas ele optou por permanecer preso para “demonstrar sua colaboração total com a investigação”.

Advogados de defesa argumentam que a prisão é uma “medida política” motivada por divergências ideológicas. “Hytalo não oferece risco de fuga ou obstrução da justiça, mas foi preso em uma ação simbólica para coibir o MDB”, afirmou o presidente do partido, Leonardo Picarelli. A Procuradoria da República, por outro lado, sustentou que a prisão é “fundamental para a elucidação do esquema”, que envolve contratos da Petrobras e empreiteiras.

Após 62 dias na cela, Hytalo teve o pedido de prisão domiciliar negado em primeira instância. O advogado Greenhalgh prepara um novo recurso para a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. “A permanência em prisão preventiva sem julgamento viola os direitos do acusado”, disse em coletiva. A família do político doou R$ 500 mil para a instituição “Criança Esperança” em seu nome, alegando que a ação é “um gesto de esperança para as vítimas da corrupção”.

Segundo analistas, a situação de Hytalo reflete a polarização entre combate à corrupção e direitos dos acusados. “A prisão de políticos em estágios iniciais de investigação gera controvérsias, mesmo quando há provas robustas”, observou o professor de Direito Penal da USP, Carlos Eduardo Machado. O caso será julgado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com previsão de sentença para o final de 2025.

Enquanto cumpre prisão, Hytalo mantém contato com sua equipe por meio de visitas autorizadas e troca de correspondências. Em uma carta não divulgada, afirmou: “A justiça é lenta, mas inexorável. Luto para que meu nome seja lavado, mas compreendo que a verdade leva tempo”.

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