Estudo prevê até 13,3 mil mortes no Brasil associadas ao calor de um “Super El Niño”

Um estudo aponta que até 13,3 mil pessoas podem morrer no Brasil em consequência do calor associado a um evento de “Super El Niño”. A estimativa considera a combinação entre o aquecimento provocado pelo fenômeno climático e o aumento das temperaturas médias causado pelas mudanças climáticas.

O El Niño ocorre quando as águas da porção central e leste do Oceano Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar o regime de chuvas e temperaturas em várias regiões do planeta. No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a área: o Sul pode registrar mais chuva, enquanto partes do Norte e do Nordeste tendem a enfrentar períodos mais secos e quentes.

Os chamados “Super El Niños” são episódios de intensidade excepcional. O fenômeno não determina, sozinho, a temperatura registrada em cada cidade, mas pode contribuir para condições favoráveis à ocorrência de ondas de calor. Quando se sobrepõe ao aquecimento global, o risco de temperaturas extremas aumenta.

A projeção de 13,3 mil mortes representa o cenário mais grave analisado pelos pesquisadores. O número não corresponde a um balanço de vítimas já registrado nem a uma previsão para um ano específico. Trata-se de uma estimativa calculada a partir de modelos climáticos e estatísticos, que consideram a exposição da população ao calor e os efeitos das altas temperaturas sobre a saúde.

O calor intenso pode provocar desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis. Trabalhadores que exercem atividades ao ar livre também enfrentam risco elevado, especialmente em períodos prolongados de temperaturas extremas.

Segundo os pesquisadores, a mortalidade relacionada ao calor depende de fatores como intensidade e duração das ondas de calor, condições de moradia, acesso a serviços de saúde, disponibilidade de água e capacidade de adaptação das cidades. Por isso, o impacto não é distribuído de maneira uniforme entre as regiões nem entre os diferentes grupos sociais.

Os autores destacam que a estimativa pode ser reduzida com políticas de adaptação. Entre as medidas estão a implantação de sistemas de alerta, a criação de centros de resfriamento, a ampliação da arborização urbana e o planejamento de áreas com sombra e acesso à água. A orientação à população e o acompanhamento de pessoas vulneráveis também são considerados instrumentos importantes.

O estudo reforça que a elevação das temperaturas médias amplia os efeitos de fenômenos naturais que já ocorrem regularmente. Mesmo quando um Super El Niño não se manifesta, o aquecimento global pode favorecer ondas de calor mais frequentes, longas e intensas. A redução das emissões de gases de efeito estufa, segundo a comunidade científica, continua sendo a principal medida para limitar a progressão desse risco.

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