
A Polícia Federal (PF) iniciou uma operação de investigação contra três ex-diretores das Lojas Americanas, acusados de participação em um esquema de suposta fraude envolvendo R$ 24 bilhões em operações financeiras entre 2016 e 2022. A ação, anunciada nesta quinta-feira (12), faz parte de uma ampla apuração de irregularidades contábeis e administrativas na holding americana que controla o varejista brasileiro.
Segundo informações divulgadas pela PF, a investigação aponta para movimentações suspeitas em contratos de aquisições de estoques, parcerias com fornecedores e operações de crédito direto ao consumidor. Os ex-executivos, que ocuparam cargos de alta direção entre 2018 e 2021, estão sob investigação por supostamente terem omitido dados nos balanços da empresa, agravando a crise financeira que levou ao fechamento de mais de 300 lojas em 2022.
O Ministério Público Federal (MPF) informou que está acompanhando o caso e que será analisada a possibilidade de responsabilização penal dos envolvidos. “A investigação está em fase inicial, mas os indícios de manipulação de dados e desvio de recursos públicos e privados são preocupantes”, afirmou em nota o procurador federal responsável pelo caso.
Os ex-diretores, que não foram identificados na primeira fase da investigação, têm 30 dias para prestar depoimento espontâneo. Em comunicado, a holding das Lojas Americanas negou qualquer irregularidade e afirmou que “todos os atos societários foram realizados de forma transparente e dentro da legislação vigente”.
Este é o maior caso de investigação penal contra executivos de empresa varejista no país desde a operação Lava Jato. A PF destacou que a ação foi coordenada com a colaboração de órgãos internacionais, dada a complexidade das transações envolvidas. Até o momento, não há previsão de prisão preventiva ou medidas coercitivas.
A operação gerou reações no mercado financeiro, com ações da holding registrando queda de 4,7% na bolsa de Nova York nesta sexta-feira (13). Analistas ressaltam que o caso pode impactar o processo de recuperação judicial da empresa, que busca renegociar dívidas de R$ 18 bilhões.
A PF reforçou que a investigação está focada nos fatos e que não há imputação de culpa aos investigados até que a fase judicial avance. O caso será compartilhado com a Advocacia-Geral da União para análise de responsabilidade administrativa, já que parte das operações envolveu recursos do BNDES.
O jornalista especializado em economia Pedro Mendes destacou que o caso “pode redefinir padrões de governança corporativa no setor varejista brasileiro”. Ele lembra que a crise das Lojas Americanas, uma das maiores redes de varejo do país, reflete desafios estruturais do comércio no pós-pandemia.