Operação da PF prende vereador e empresa de ônibus de SP sob suspeita de ligação com o PCC

Agentes da Polícia Federal (PF) cumprem nesta quinta-feira (15) mandados de prisão contra um vereador de São Paulo e integrantes de uma empresa de ônibus investigados por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação, batizada de “Linha de Fuga”, foi deflagrada após anos de investigação que apontou conexões entre o vereador, o grupo criminoso e a empresa de transporte público.

O vereador preso, cujo nome não foi divulgado imediatamente pela PF, teria atuado como intermediário entre o PCC e a empresa de ônibus. Segundo informações preliminares, a operação identificou desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro, com valores supostamente destinados ao financiamento de atividades criminosas do PCC. A empresa investigada é uma das maiores do Estado e atua em linhas urbanas e intermunicipais.

Equipes da PF realizam buscas em pelo menos cinco endereços em diferentes bairros da capital paulista. Documentos apreendidos incluem contratos suspeitos, registros contábeis e equipamentos eletrônicos. Autoridades confirmam que a operação também investiga o uso de veículos da empresa para transporte de materiais e pessoas associados ao grupo criminoso.

O PCC, o maior presídio privado do país, tem histórico de atuação em esquemas que envolvem políticos e setor privado. A PF afirma que a operação visa desarticular uma rede que movimentava milhões de reais por meio de empresas de fachada e contratos maliciosos. Um porta-voz da PF destacou que a prisão do vereador é “um passo fundamental para desarticular a corrupção sistêmica que prejudica a sociedade paulistana”.

Advogados do vereador negam as acusações e informam que protocolarão habeas corpus. A empresa de ônibus, por meio de nota, afirmou que colabora com as investigações e rejeita qualquer envolvimento com ações criminosas. “Nossas operações seguem rigorosamente as leis do setor, e estamos à disposição para prestar esclarecimentos”, disse a nota.

A operação conta com o apoio da Secretaria de Segurança Pública do Estado e da Corregedoria da PF. Autoridades estaduais destacam que a ação demonstra o combate intransigente a práticas que corroem a integridade do setor público e privado. O vereador responderá a acusações de formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Com 12 mandados de prisão cumpridos e 18 de busca e apreensão, a operação “Linha de Fuga” é considerada uma das maiores ações da PF contra o PCC em 2024. O caso será investigado pela Procuradoria da República e pode render ações judiciais civis e penais. A PF não divulgou o prazo estimado para a conclusão das investigações.

A prisão do vereador e a investigação da empresa de ônibus geram debate sobre a necessidade de reforçar mecanismos de fiscalização em contratos públicos e setores estratégicos da economia. O Ministério Público Federal informou que acompanhará de perto o caso para assegurar a aplicação da lei.

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