Lula: “A melhor arma que um país pode ter é a segurança alimentar”

No discurso proferido durante a 13ª Conferência Mundial sobre Segurança Alimentar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “a melhor arma que um país pode ter é a segurança alimentar”. A declaração, feita em Genebra, destacou a importância estratégica da produção nacional de alimentos como fator de soberania e desenvolvimento econômico.

Lula ressaltou que a capacidade de um Estado de garantir a autossuficiência alimentar reduz sua vulnerabilidade diante de crises globais. “Quando um país controla sua produção agrícola, não depende do jogo geopolítico das commodities”, afirmou, citando a experiência brasileira na redução da importação de grãos nos últimos anos.

O discurso foi acompanhado de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam aumento de 15% na produção de soja e milho em 2023, consolidando o Brasil como segundo maior exportador mundial. Para o ministro da Agricultura, Paulo Teixeira, a política de incentivo a tecnologias de ponta e pequenos agricultores foi fundamental para o resultado.

Críticos, no entanto, destacam desafios como a preservação do meio ambiente. O relatório da ONU sobre mudanças climáticas alerta que práticas agrícolas intensivas ameaçam biomas como a Amazônia e o Cerrado. Lula reconheceu o ponto, propondo investimentos em agroecologia como complemento à produtividade.

Na arena internacional, especialistas analisam a posição brasileira como parte de uma tendência global. “Países como China e Índia também estão apostando na agricultura como política de segurança nacional”, diz o economista Marcelo Paes, da Fundação Getúlio Vargas. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) prevê aumento de 70% na demanda global por alimentos até 2050.

O governo federal divulgou, na sequência do discurso, uma nova linha de crédito rural com juros reduzidos para cooperativas agrícolas. O programa, com recursos do BNDES, visa beneficiar 300 mil famílias em 2024, segundo o Ministério da Economia.

A declaração de Lula reacende o debate sobre o papel do Estado na agricultura. Enquanto setores defendem mais investimentos públicos, outros argumentam pela redução de subsídios e liberalização do mercado. O Congresso Nacional tramita, desde 2022, projeto que atualiza a Lei de Inovação Agrícola.

Na esfera internacional, a OMC (Organização Mundial do Comércio) trava negociações sobre quotas de exportação de grãos. O Brasil apresentou proposta de flexibilização de acordos bilaterais, buscando ampliar as exportações para mercados emergentes como África e Oriente Médio.

Para a pesquisadora da Embrapa, Ana Carla Ferreira, a segurança alimentar não se limita à produção. “A distribuição eficiente e o acesso equitativo aos alimentos são igualmente importantes”, alerta, citando dados do IBAMA sobre desperdício de 20% da produção agrícola no país.

Com 57% da população rural vivendo em áreas de agricultura familiar, segundo o Censo 2022, o tema permanece central na agenda do governo. A próxima etapa, segundo o presidente, será a implementação de uma política de logística para reduzir custos de transporte e armazenamento do setor agrícola.

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