
O governo do Estado do Rio de Janeiro anunciou a criação de um novo Escritório Antifacção, que unirá esforços entre forças estaduais e federais para intensificar o combate a organizações criminosas no estado. A iniciativa, apresentada em cerimônia no Palácio Guanabara, busca estabelecer uma cooperação estrutural entre instituições como a Polícia Civil, Polícia Militar, Força Nacional e o Ministério Público Federal.
O anúncio foi feito após uma reunião entre o governador Eduardo Paes e representantes do governo federal, incluindo o ministro da Justiça. De acordo com o comunicado oficial, o escritório funcionará como um hub operacional, centralizando informações e estratégias para ações conjuntas contra facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A expectativa é que a iniciativa reduza conflitos entre grupos rivais e intensifique operações em áreas de alto índice de violência.
Segundo o secretário estadual de Segurança, Marcelo Alves, a integração visa “criar uma cadeia de comando mais ágil”, permitindo que equipes de diferentes órgãos atuem de forma sincronizada. “A divisão de responsabilidades entre estaduais e federais muitas vezes gerou lacunas na atuação. Com esse novo modelo, pretendemos fechar essas brechas”, afirmou em coletiva de imprensa. O escritório também contará com uma equipe técnica especializada em inteligência criminal e análise de dados para mapear padrões de atuação das facções.
O Ministério Público Federal destacou a importância de uma “estratégia contínua” para enfrentar o crime organizado, que, segundo dados de 2023, responde por 68% dos homicídios no estado. O promotor federal Luís Carlos Ferreira ressaltou que o escritório funcionará como uma interface entre as instituições, facilitando o compartilhamento de bases de dados e inteligência. “Essa articulação é essencial para identificar líderes e financiadores das facções, muitos dos quais atuam em redes complexas que envolvem o poder público”, observou.
Críticos, no entanto, questionam a eficácia do modelo. O professor de Ciências Sociais da UFRJ, Carlos Mendes, alerta que iniciativas semelhantes já foram criadas no passado sem resultados concretos. “A história recente mostra que a reunião de forças não é suficiente. É necessário um aumento significativo de recursos e uma reformulação das políticas de segurança, que atualmente priorizam a repressão à prevenção”, afirmou em entrevista à *Folha de S.Paulo*.
O Escritório Antifacção começa suas operações no primeiro semestre de 2024, com um orçamento inicial de R$ 15 milhões. A estrutura incluirá uma equipe permanente de 50 especialistas e terá coordenação conjunta entre o governo estadual e federal. A meta, segundo o governador Paes, é reduzir em 30% os homicídios no Rio nos próximos 18 meses.