
El Salvador vive uma fase conturbada de sua política após o presidente Nayib Bukele anunciar oficialmente sua candidatura para o pleito de 2024, um ano após promover uma reforma constitucional que permitiu a reeleição presidencial no país. A mudança, aprovada em 2023 mediante o apoio unânime da Assembleia Legislativa, modificou a redação do artigo 37 da Constituição salvadorenha, que até então restringia o exercício do cargo presidencial a um único mandato.
Bukele, que assumiu o poder em 2019 com uma base de apoio ampla e uma agenda centrada em segurança e desenvolvimento econômico, justificou a reforma com a necessidade de “continuidade” em políticas públicas que, segundo seu governo, reduziram a violência e impulsionaram a economia. A nova legislação, entretanto, gerou intensos debates no cenário político, com críticos alegando que fragiliza o princípio da alternância no poder.
Segundo dados do Tribunal Supremo Electoral (TSE), a reforma recebeu 70% de aprovação nos votos dos deputados, todos membros do partido presidencial, Nuevas Ideas. A oposição, formada por partidos como ARENA e FMLN, rejeitou a proposta, acusando o Executivo de concentrar poder. O presidente, por sua vez, argumentou que a reeleição é uma demanda popular, reforçada por pesquisas que lhe atribuem índices de aprovação acima de 75%.
A campanha eleitoral de Bukele terá início formalmente em abril de 2024, com o primeiro turno marcado para fevereiro. O pleito também definirá governadores e vereadores em todas as províncias. Até o momento, nenhum outro candidato anunciou oficialmente sua inscrição, embora figuras da oposição já tenham manifestado intenções de disputar o cargo.
Analistas observam que a reforma constitucional e a perspectiva de uma reeleição ininterrupta podem impactar a governabilidade do país. “A concentração do poder em mãos de um único partido, mesmo que com apoio popular, reduz a pluralidade política e aumenta o risco de imposições sem contrapesos”, afirmou Carlos Menéndez, especialista em direito constitucional.
Enquanto isso, a população segue dividida. Apoiadores destacam o combate à criminalidade e a estabilização econômica como conquistas do governo. Críticos, por outro lado, expressam preocupações com o cenário de polarização e a redução da participação política de opositores. As eleições de 2024 serão um teste crucial para a democracia salvadorenha.
O TSE confirmou que está preparando as medidas necessárias para garantir a transparência do processo eleitoral, incluindo sistemas de vigilância eletrônica e a presença de observadores internacionais. A votação ocorrerá em um contexto de eleições presidenciais em diversos países da América Latina, como Honduras e Colômbia, ampliando o interesse regional pelo tema.