
O Banco Central do Brasil divulgou nesta quinta-feira (15) que o déficit primário do setor público consolidado atingiu R$ 56 bilhões em maio, registrando um aumento de 18% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado reflete a expansão das despesas públicas e a menor arrecadação de impostos, segundo dados compilados pelo sistema financeiro.
O déficit primário mede a diferença entre receitas e despesas do governo, excluindo o pagamento de juros da dívida pública. Em maio de 2024, o valor representa uma melhora parcial em relação ao acumulado do ano, que ainda permanece 9% abaixo da meta estabelecida pelo Plano Anual de Execução Orçamentária (PAEO). Segundo o BC, a variação mensal foi influenciada por operações de crédito rural e despesas com programas sociais.
Os dados apontam que a arrecadação do governo federal somou R$ 182 bilhões no período, um recuo de 4% frente a maio de 2023. Especialistas atribuem a redução à crise na economia internacional e ao enfraquecimento do consumo interno. “A carga tributária está desalinhada com o crescimento do PIB, o que compromete a sustentabilidade do orçamento”, destacou o economista da FGV, João Silva.
Por outro lado, as despesas totais do setor público aumentaram 12% no período, atingindo R$ 238 bilhões. A maior parte do gasto foi direcionada a investimentos em infraestrutura e à manutenção de programas de assistência social, conforme informou a Secretaria do Tesouro Nacional. O governo federal reafirmou compromisso com o ajuste fiscal, mesmo com pressões orçamentárias crescentes.
No acumulado do ano, o déficit primário soma R$ 283 bilhões, um déficit menor que o registrado em igual período de 2023. A meta fiscal estipulada pelo Congresso Nacional é de R$ 315 bilhões para 2024. Analistas destacam que a redução do déficit em maio pode ser um sinal positivo, mas alertam para o risco de descontrole nos próximos meses devido à elevação da dívida pública.
O Banco Central reforçou a importância de políticas de contenção de gastos e modernização da máquina pública. “É fundamental equilibrar a necessidade de investimentos com a responsabilidade fiscal”, afirmou o presidente do BC, Carlos Drummond. A equipe econômica também anunciou a revisão de projetos orçamentários para 2025, com foco em eficiência e transparência.
A notícia foi recebida com cautela pelo mercado financeiro, que aponta para desafios na manutenção do equilíbrio fiscal. Investidores monitoram atentamente os próximos dados de junho, que serão divulgados no início de agosto, para avaliar a trajetória do governo frente às metas.
Enquanto isso, setores da oposição criticam a gestão das contas públicas, apontando para o que chamam de “desgaste da credibilidade fiscal”. A base aliada, por sua vez, destaca os esforços do governo em cumprir as metas e atrair investimentos estrangeiros.
O déficit público tem impacto direto na taxa de juros e na dívida bruta do país, que atingiu R$ 7,8 trilhões em maio. Especialistas aconselham maior diálogo entre os poderes para garantir a estabilidade macroeconômica no longo prazo.