
A Academia Brasileira de Letras (ABL) anunciou oficialmente a concessão do Prêmio Machado de Assis, uma das mais prestigiadas distinções do meio literário nacional, ao escritor e acadêmico Cristóvão Tezza. A decisão, divulgada em cerimônia realizada no dia 22 de abril de 2024 no edifício histórico da entidade, em São Paulo, homenageia a produção artística e intelectual do autor, reconhecida por sua riqueza temática e contribuição para a literatura contemporânea.
Cristóvão Tezza, conhecido por obras como *O Homem de Bronze* e *O Lugar do Outro*, foi eleito por unanimidade pelos 32 membros da ABL. O prêmio, instituído em 2012, é concedido anualmente a personalidades que se destacam por sua produção intelectual, artística ou científica. Em 2024, a escolha foi motivada pela “profunda reflexão sobre a condição humana e a crítica social” presente em sua obra, segundo o presidente da ABL, acadêmico José Paulo Paes.
“Tezza tem trazido à literatura brasileira uma narrativa que mescla a história do país com a psicologia dos personagens, criando universos que refletem os desafios do presente”, destacou Paes durante o anúncio, realizado na sede da academia, no Rio de Janeiro. A entrega oficial do prêmio está prevista para o mês de junho, durante evento com a presença de autoridades culturais e representantes do setor editorial.
A trajetória de Tezza inclui uma carreira acadêmica sólida em filosofia e literatura, além da produção de romances que discutem temas como identidade nacional, memória histórica e desigualdades sociais. Seu trabalho foi traduzido para mais de 15 idiomas, ampliando o alcance internacional de sua voz crítica sobre a realidade brasileira.
A decisão da ABL foi recebida com elogios no meio literário. “Esse reconhecimento reafirma o papel da academia como guardiã da excelência cultural”, afirmou a crítica literária Ana Helena Rezende em declaração à imprensa. O prêmio inclui uma medalha de ouro com a efígie de Machado de Assis, uma placa comemorativa e a publicação de uma coletânea de textos do homenageado pela editora Rocco.
O Prêmio Machado de Assis surgiu como uma iniciativa para valorizar a produção intelectual brasileira em áreas como letras, ciências humanas e artes. Em anos anteriores, foram homenageados escritores como Luiz Ruffato, Lygia Fagundes Telles e João Ubaldo Ribeiro, consolidando a premiação como um marco da cena cultural nacional.
Cristóvão Tezza, atualmente com 63 anos, afirmou, em entrevista ao jornal *Folha de S.Paulo*, que a honraria “é uma responsabilidade para continuar a escrever sobre os problemas que afligem nossa sociedade, mas também um estímulo para a nova geração de autores”. O escritor, que vive em São Paulo, já iniciou a composição de seu próximo romance, cujo enredo envolve a construção da ferrovia Transamazônica nos anos 1970.
A Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897, reúne 40 acadêmicos eleitos por seus pares para representar a produção intelectual do país. A instituição também organiza o Prêmio Jabuti e mantém o acervo do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.
Com este novo reconhecimento, Tezza reforça a posição da literatura brasileira no cenário global, enquanto a ABL continua seu papel de promotor de excelência cultural, segundo afirmou o secretário da entidade, acadêmico Paulo Henriques.