
A Petrobras anunciou na quarta-feira (23/05/2024) um acordo estratégico com a empresa norte-americana Chevron para a exploração de petróleo e gás no Golfo do México, em uma região conhecida como “Bluefin”, com potencial de até 2 bilhões de barris equivalentes de óleo. O anúncio, feito durante a Conferência Global de Energia em Houston, marca o primeiro passo do plano da estatal brasileira de ampliar sua presença no mercado internacional pós-pandemia.
O contrato prevê a criação de uma joint venture entre as duas empresas, com a Petrobras assumindo 40% da participação no projeto. Segundo comunicado oficial, a operação envolverá investimentos iniciais de US$ 3,8 bilhões, com início das atividades de perfuração programado para o segundo semestre de 2025. A Chevron, maior empresa de exploração de petróleo dos EUA, liderará as operações técnicas no local.
De acordo com a Petrobras, o Golfo do México representa uma “oportunidade estratégica” devido à sua infraestrutura consolidada e à alta produtividade das formações geológicas da região. O acordo também inclui uma cláusula de transferência de tecnologia, que permitirá à estatal brasileira aprimorar suas competências em perfurações em águas profundas, um campo em que a empresa já é referência global.
A assinatura do acordo ocorre em um momento delicado para o setor energético mundo afora. Com a desaceleração do preço do petróleo no primeiro semestre de 2024 e a pressão crescente por fontes renováveis, especialistas destacam que a Petrobras busca com o Golfo do México diversificar sua carteira de ativos e reduzir a dependência do pré-sal brasileiro.
Segundo o presidente da Petrobras, João Pedro de Oliveira, “essa parceria não apenas abre um novo capítulo na história internacional da empresa, mas também coloca o Brasil como ator proeminente no mercado energético global”. A Chevron, por sua vez, destacou a experiência da Petrobras em projetos de exploração offshore no Atlântico Sul como fator decisivo para o sucesso da parceria.
O acordo gerou reações mistas no Congresso Nacional brasileiro. Enquanto parlamentares da base governista elogiaram a iniciativa como “um passo importante para a internacionalização da Petrobras”, deputados de oposição questionaram a necessidade de envio de tecnologia brasileira para o exterior. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) informou que está analisando os termos do contrato para garantir o cumprimento da legislação vigente.
De acordo com levantamento da Bloomberg Energy, o Golfo do México abriga cerca de 15% das reservas provadas de petróleo dos EUA e é palco de operações de grandes empresas internacionais como Shell, BP e ExxonMobil. A entrada da Petrobras na região pode intensificar a competição, com impactos potenciais sobre os preços do gás natural e do petróleo no mercado norte-americano.
A operação também traz desafios ambientais. Apesar da Chevron afirmar que seguirá protocolos internacionais de preservação do meio ambiente, ONGs ambientalistas alertam para o risco de derrames em uma região ecologicamente sensível. A Petrobras destacou que implementará um plano de mitigação ambiental com ações de monitoramento em tempo real.
O acordo entra em vigor após a aprovação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC). A Petrobras informou que divulgará atualizações sobre o projeto em seu site oficial e em relatórios trimestrais para acionistas.