
Um novo projeto de saneamento básico, em andamento na região de Estrutural, em Brasília, será concluído até o final de 2024 para beneficiar mais de 20 mil moradores da área. A iniciativa, coordenada pelo governo federal em parceria com a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), prevê a instalação de novos sistemas de esgoto, redes de abastecimento de água potável e estações de tratamento.
De acordo com informações divulgadas pela Caesb, a obra está em fase avançada, com 75% das obras concluídas. A previsão inicial de conclusão, em 2023, foi reajustada para 2024 devido a desafios logísticos decorrentes do complexo sistema de encanamento subterrâneo já existente na região. O investimento total ultrapassará R$ 150 milhões, financiado por recursos do orçamento federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O secretário de Infraestrutura do DF, Carlos Eduardo Moreira, destacou que a obra resolverá problemas históricos de alagamentos e esgoto a céu aberto que afetam a comunidade. “Este projeto é um marco para a Estrutural, que há décadas enfrenta dificuldades no sistema de esgoto. Além de melhorar a qualidade de vida, a obra trará benefícios sanitários e ambientais significativos”, afirmou em coletiva recente.
Entre as melhorias previstas estão:
- Implantação de 12 km de redes de esgoto
- Modernização de 8 km de redes de água potável
- Construção de duas estações de tratamento de esgoto
- Requalificação de bueiros e drenos em áreas de risco
Segundo dados da Caesb, a Estrutural é uma das regiões com maior déficit de saneamento no Distrito Federal, com índice de coleta de esgoto de apenas 35% antes da intervenção. A meta é elevar essa taxa para 95% após a conclusão das obras. A empresa também informou que 80% dos moradores da região já estão conectados ao novo sistema de abastecimento de água.
O projeto prevê a geração de cerca de 500 empregos diretos durante a fase final das obras, com contratação de mão de obra local prioritariamente. A Caesb também está promovendo campanhas de conscientização para orientar a população sobre a manutenção dos novos sistemas e a importância do uso consciente de água.
Critérios de seleção para a priorização das ruas e bairros foram baseados em estudos técnicos realizados pela Secretaria de Infraestrutura do DF. A região central da Estrutural receberá 60% das intervenções, seguida pela Asa Norte (25%) e por bairros periféricos (15%).
Apesar do progresso anunciado, entidades de moradores alertam para a necessidade de manutenção constante após a conclusão das obras. “É fundamental que o governo garantia a operação e manutenção dos sistemas após a entrega. Infelizmente, em outras regiões, vimos obras que deterioraram rapidamente por falta de cuidado”, destacou o presidente da Associação dos Moradores da Estrutural, Antônio Carlos Ferreira.
O governo federal informou que está em negociação com empresas privadas para contratar operadoras especializadas na gestão do sistema de saneamento da região após a conclusão das obras. As empresas interessadas têm até 15 de julho para apresentar propostas técnicas e financeiras para a gestão por 15 anos.
Com a conclusão do projeto, a Estrutural passará a integrar o Programa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), que prevê a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033, conforme determina a Lei 11.445/2007. A região ainda tem em sua pauta a implantação de sistemas de reuso de água para irrigação pública e privada, que está em fase de estudos.