Marcha em São Paulo reivindica legalização da maconha e debate regulamentação do mercado

No domingo (18), cerca de 5 mil pessoas se reuniram no centro de São Paulo para participar de marcha que reivindicou a legalização da maconha no Brasil. O evento, organizado por movimentos sociais e entidades de saúde, destacou a necessidade de uma regulamentação do mercado de substâncias psicoativas com foco em direitos humanos e redução de riscos.

Os manifestantes marcharam do Parque da Independência até a Praça da República, com faixas e cartazes que destacavam frases como “Legalização = Segurança” e “Tolerância Zero para Repressão”. Entre os organizadores, o coletivo “Vozes Pela Legalização” afirmou que a iniciativa busca impulsionar debates sobre o modelo de regulação, similar ao adotado em países como Uruguai e Canadá.

Segundo dados apresentados durante o evento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 28 milhões de pessoas no mundo usam cannabis de forma regular. No Brasil, a criminalização da substância mantém cerca de 15 mil pessoas presas em 2024 por posse de quantidades consideradas pequenas, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A marcha ocorre em meio a avanços legislativos no Congresso Nacional. Em junho de 2024, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que permite o uso medicinal da cannabis em tratamentos específicos. Apesar disso, parlamentares dividem opiniões sobre a legalização para consumo recreativo, destacando preocupações com os impactos na saúde pública e segurança.

Representantes da sociedade civil destacaram, durante o protesto, a importância de políticas públicas que priorizem a educação sobre riscos do uso e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar eventuais impactos. “Não se trata apenas de legalizar, mas de construir um sistema que proteja os cidadãos e reduza a influência de grupos criminosos no setor”, afirmou uma das oradoras.

O governo federal não se manifestou formalmente sobre o evento, mas reafirmou em nota a defesa de políticas de prevenção ao uso de substâncias, alinhadas às diretrizes da Organização das Nações Unidas sobre Drogas (ONUD). A próxima etapa prevê debates no Senado Federal, onde tramita projeto de lei que estabelece marco regulatório para substâncias psicoativas.

A marcha em São Paulo reforça um movimento crescente no país, com eventos semelhantes registrados em 12 capitais brasileiras nos últimos dois anos. Pesquisas recentes indicam que 67% da população favorece a legalização da cannabis sob condições de controle estatal, segundo o Instituto Datafolha.

O debate sobre a regulamentação da maconha continua polarizando setores da sociedade, com argumentos centrados em liberdades individuais, redução de desigualdades e desafios de fiscalização. O evento de domingo reuniu especialistas, ativistas e cidadãos comuns em busca de uma agenda política que equilibre direitos e responsabilidades sociais.

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