Marcha em São Paulo reivindica legalização da maconha e debate público sobre políticas de drogas

Quase 5.000 pessoas participaram na manhã desta quinta-feira (27) de uma marcha em São Paulo em defesa da legalização da maconha, promovida por movimentos sociais e organizações de direitos humanos. O evento, que teve concentração na Praça da Sé e se encaminhou até o Ibirapuera, reuniu manifestantes de diferentes idades, que levantaram faixas com mensagens como “Maconha não é crime” e “Legalize com responsabilidade”.

Organizada pela Rede Nacional de Ações sobre Drogas (Renad), a manifestação ocorre em meio a debates intensificados sobre a reforma das políticas de drogas no Brasil. A marcha contou com discursos de representantes de entidades que defendem o acesso regulado à cannabis medicinal e recreativa, além de discussões sobre os impactos sociais da criminalização da droga.

Durante o percurso, o presidente da Renad, Marcelo Sampaio, destacou que “a legalização não é um fim em si, mas uma necessidade de reduzir os danos sociais e humanos gerados pela proibição”, citando dados da Organização Mundial da Saúde que apontam que 25% da população mundial já usou maconha em algum momento da vida.

A manifestação ocorre após o governo federal anunciar, em março, uma comissão especial para revisão do Estatuto do Adolescente e do Código Penal em relação às drogas. O Ministério da Justiça informou que a proposta inclui a descriminalização do uso de pequenas quantidades de maconha por adultos, mas não a legalização total do mercado.

Segundo estimativas do IBAMA, cerca de 4,3 milhões de brasileiros usam maconha regularmente, sendo que 60% delas são mulheres. Defensores da legalização argumentam que a regulamentação poderia gerar R$ 40 bilhões anuais em impostos, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas.

Ocorreu simultaneamente a debates no Congresso sobre o Projeto de Lei 3.252/2023, que propõe a descriminalização do uso de substâncias psicoativas por adultos. O texto, que tramita na Câmara dos Deputados, tem apoiadores entre a bancada federal e oposição de setores ligados às instituições religiosas.

No setor médico, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria defende a legalização com restrições, enfatizando a necessidade de campanhas educativas. “A proibição não é eficaz, e a legalização com regulamentação pode reduzir os riscos associados”, afirmou a diretora da sociedade, Dra. Ana Lúcia Ferreira.

Segundo dados do Departamento de Políticas Antidrogas (Dena), o Brasil registrava 350 mil pessoas presas por porte de drogas em 2023, sendo 60% delas por maconha. A maioria desses casos (72%) envolvia jovens de 18 a 25 anos.

A marcha encerrou com uma cerimônia simbólica no Ibirapuera, onde manifestantes depositaram cartas contendo histórias pessoais sobre o impacto da criminalização das drogas. A organização informou que as cartas serão encaminhadas ao Congresso Nacional.

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