Digimais usou dívida de 1942 para inflar balanço, afirma PF

A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) afirma que a empresa Digimais utilizou uma dívida com origem em 1942 para inflar artificialmente seu balanço contábil, conforme revelado em inquérito em andamento. A prática, se confirmada, configuraria manipulação de informações financeiras, violando normas de transparência e responsabilidade fiscal.

A dívida em questão, segundo fontes investigadas, trata-se de uma obrigação histórica de natureza duvidosa, reclassificada na contabilidade da empresa como ativo, o que teria mascarado déficits reais. A PF (Polícia Federal) está analisando documentos contábeis e contratos envolvendo a Digimais, que atua no mercado de tecnologia e serviços. A empresa, no entanto, nega irregularidades, afirmando que suas demonstrações financeiras seguem normas técnicas vigentes.

O caso foi levantado após denúncia anônima à PGFN, que identificou inconsistências em ajustes contábeis realizados no período de 2018 a 2022. A investigação aponta que a reclassificação da dívida antiga teria reduzido a alavancagem aparente da empresa, beneficiando negociações comerciais e captações de recursos. Especialistas em economia destacam que a prática, caso comprovada, poderia expor a Digimais a sanções administrativas e civis, além de impactar sua credibilidade perante investidores.

A assessoria de imprensa da Digimais divulgou nota informando que “as alegações são infundadas e baseadas em interpretações errôneas de operações complexas, devidamente registradas em conformidade com as leis contábeis”. A empresa ressaltou que coopera plenamente com as autoridades em investigações em andamento.

Segundo o advogado tributarista João Vitor Oliveira, situações como essa “revelam a necessidade de maior rigor na auditoria de empresas de grande porte, especialmente quando envolvem passivos de longo prazo”. Ele observa que dívidas históricas, muitas vezes esquecidas ou mal documentadas, podem ser reclassificadas de forma a distorcer a realidade financeira, prejudicando a tomada de decisão por partes interessadas.

A PGFN informou que não comenta ações investigativas em andamento. Caso a acusação seja formalizada, a Digimais poderá responder judicialmente por infrações administrativas, além de multas que podem alcançar milhões de reais. O caso também gera debates sobre a fiscalização contábil no Brasil, com críticas ao baixo rigor de auditorias externas.

Enquanto isso, o mercado aguarda o desfecho da investigação, que pode impactar não apenas a Digimais, mas também setores que dependem de transparência em suas demonstrações financeiras. A operação, se concluída como fraudulenta, servirá como um alerta sobre os riscos de manipulações contábeis em empresas de capital fechado.

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