
O Brasil enfrenta uma realidade crescente de envolvimento em apostas ilegais, com dados revelando que 25,2 milhões de pessoas estão engajadas nesse mercado informal. Entre esses apostadores, 25% jogam diariamente, segundo uma análise recente que traz à tona preocupações sobre a regulamentação e os impactos sociais e econômicos desse fenômeno.
As apostas ilegais no país abrangem desde jogos de azar em eventos esportivos até cassinos clandestinos e plataformas online não autorizadas. Essa atividade ocorre fora da fiscalização oficial, tornando difícil mensurar seu impacto total. A falta de estrutura regulatória também abre espaço para práticas fraudulentas e exploração de vulneráveis.
Segundo especialistas, a popularidade das apostas ilegais está ligada à facilidade de acesso, especialmente nas redes sociais e aplicativos não verificados. “Muitos usuários não reconhecem os riscos de perder dinheiro em plataformas não regulamentadas”, afirma um representante da Associação Brasileira de Proteção ao Apostador, que destaca o aumento de casos de endividamento e dependência.
A economia informal das apostas movimenta bilhões anualmente, mas evita a arrecadação de impostos que poderia ser direcionada a políticas públicas. Em comparação, países como Portugal e Espanha têm modelos de regulamentação que garantem transparência e proteção ao consumidor, enquanto também geram receita para os governos.
Apesar da proibição legal de apostas não autorizadas, a fiscalização brasileira enfrenta desafios para coibir operações ilegais. Organizações de defesa do consumidor alertam para a necessidade de campanhas de conscientização e de avanço em discussões parlamentares sobre uma proposta de regulamentação nacional.
A situação também reflete um paradoxo: enquanto parte da população vê nas apostas uma possibilidade de renda, outros grupos denunciam a exploração de grupos de risco, incluindo jovens e idosos. “É preciso equilibrar liberdade e proteção”, conclui uma estudiosa em políticas sociais da Universidade de São Paulo.
Com a pandemia acelerando o uso de tecnologias, o debate sobre a legalização controlada de apostas torna-se urgente. A falta de resposta institucional pode prolongar os danos sociais e econômicos associados a um mercado que, apesar de ilegal, mostra sinais de crescimento exponencial.