
Marcelo Bielsa, técnico do Uruguai, manifestou críticas à regra da pausa para hidratação durante os jogos da Copa do Mundo, considerada uma inovação introduzida pela FIFA para prevenir desgaste físico dos jogadores em condições climáticas adversas. Em entrevista coletiva, o experiente treinador argentino afirmou que a medida “não agrega valor ao espetáculo” e pode gerar desgaste psicológico nas equipes.
A regra permite que os times interrompam o jogo por cerca de 90 segundos para que os atletas hidratem-se individualmente, especialmente em estádios com temperaturas elevadas. Bielsa argumentou que a pausa interrompe a continuidade do jogo e prejudica a estratégia tática, já que o ritmo se altera abruptamente.
“A decisão de parar o jogo para hidratação deve ser do árbitro, não de uma regra fixa. Cada situação é única. Se o time estiver em um momento decisivo, essa pausa parece artificial”, afirmou Bielsa, que comandou o Uruguai na Copa do Mundo de 2022 no Catar.
O técnico, conhecido por sua filosofia tática rigorosa, destacou que os jogadores já têm treinamento específico para lidar com o calor e a desidratação. “A preparação física e mental é essencial. Parar o jogo para hidratação pode transmitir uma imagem de fraqueza”, disse.
Em resposta, a FIFA destacou que a medida visa proteger a saúde dos atletas, especialmente em competições realizadas em climas extremos. A entidade afirmou que a regra é facultativa, sendo aplicada apenas em estádios onde a temperatura ultrapasse 30°C.
Outros treinadores, como Pep Guardiola, já defenderam a pausa como uma inovação necessária. “É uma decisão humanitária. O futebol não pode ignorar o bem-estar dos jogadores”, comentou o técnico do Manchester City em 2023.
Bielsa, com 69 anos, é um dos treinadores mais influentes da história do futebol. Sua crítica à pausa reflete sua postura de questionar regras tradicionais em prol de um jogo mais técnico e eficiente. O Uruguai, pela 15ª vez campeão da América do Sul, busca seu terceiro título mundial.
A discussão sobre a pausa para hidratação ganhou relevância após sua implementação na Copa do Mundo de 2022. Enquanto a FIFA defende a iniciativa, críticos alegam que ela fragmenta a narrativa do jogo e prioriza o aspecto físico sobre o espetáculo.