
Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2025 – A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) substituiu recentemente um contrato alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por outro contrato com valor significativamente superior, beneficiando o mesmo grupo empresarial investigado, conforme apurado por fontes oficiais e documentos divulgados.
O contrato original, celebrado em 2023, foi aberto a investigação em abril de 2024 após denúncias de irregularidades na licitação. A PF apurava suspeitas de favorecimento ao grupo “Logtrans S.A.”, empresa investigada por supostas práticas de corrupção em licitações do setor de transporte. Mesmo com a abertura do inquérito, a ANTT concluiu, em julho de 2025, um novo contrato com a mesma empresa, aumentando em 28% o valor total do acordo.
Segundo documentos obtidos por este jornal, o novo contrato, no valor de R$ 127 milhões, prevê serviços de manutenção de infraestrutura rodoviária, mantendo os mesmos beneficiários do contrato anterior. O Ministério Público Federal informou que não descarta a possibilidade de novas ações contra a ANTT por suposta incontinência na gestão de recursos públicos.
A ANTT informou, em nota oficial, que a substituição do contrato ocorreu após análise técnica e jurídica, garantindo “a continuidade dos serviços essenciais ao sistema logístico nacional”. A agência também destacou que o novo contrato foi aprovado por meio de licitação pública, com participação de outras empresas do setor.
Apesar da defesa da ANTT, especialistas em direito público questionam a lógica da troca. “Se o contrato anterior já era investigado, a manutenção do mesmo grupo beneficiado pode configurar obstrução à justiça”, afirmou Carlos Mendonça, advogado especializado em licitações. A PF, por sua vez, não se pronunciou sobre a nova contratação.
O caso reacende debates sobre a transparência em contratos públicos no Brasil. Ativistas do movimento “Público Limpio” lançaram uma petição online pedindo a anulação do novo contrato e a responsabilização dos agentes envolvidos. “Esse é apenas mais um exemplo de como o sistema é favorecido por lobbies corporativos”, disse a porta-voz da organização, Ana Oliveira.
O Ministério da Infraestrutura, responsável pela supervisão da ANTT, ainda não se manifestou sobre a troca de contratos. A investigação da PF segue em andamento, com previsão de conclusão do inquérito até o final de 2025.
Este jornal continuará acompanhando o caso e publicará atualizações sobre o andamento das investigações e as implicações para o setor de transportes no Brasil.