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Agências de defesa civil do Pará investigam a origem de alertas falsos publicados em contas oficiais de agentes do órgão, que foram compartilhados em redes sociais sem supervisão adequada. A descoberta, feita após denúncias da população, revelou que pelo menos 12 mensagens com informações errôneas sobre riscos climáticos foram veiculadas entre março e junho deste ano.
Segundo nota da Secretaria Estadual de Defesa Civil (Sedec), as publicações foram feitas por agentes que utilizavam contas pessoais, não autorizadas para divulgação oficial. “Não há relação direta com a gestão institucional, mas estamos revisando protocolos de acesso a redes sociais”, afirmou o secretário Ronaldo Ferreira em coletiva na última terça-feira (15).
As mensagens falsas incluíam avisos sobre tempestades em regiões sem riscos reais e previsões climáticas inexistentes, gerando alarme em comunidades ribeirinhas. Um dos casos mais discutidos foi o de uma suposta enchente no município de Santarém, que chegou a mobilizar equipes de resgate preventivo.
Na quinta-feira (17), a Sedec anunciou a suspensão de três agentes por violação de normas de comunicação. A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Meio Ambiente, apura se houve intenção deliberada ou falha em procedimentos de verificação. “Estamos em fase de coleta de evidências digitais”, informou a assessoria do MP.
Advogados especializados em direito ambiental destacam a fragilidade dos mecanismos de fiscalização nas redes sociais públicas. “Esses casos revelam a necessidade de treinamento constante em segurança da informação”, opina o professor Thiago Costa, da Universidade Federal do Pará.
A população afetada pede maior transparência nos canais oficiais. Em uma reunião pública em Belém, lideranças comunitárias cobraram uma campanha educativa sobre como identificar alertas reais da Defesa Civil. “Precisamos confiar em quem deve nos proteger”, disse a ribeirinha Maria Aparecida, 52, que vive em área de risco.
Enquanto isso, a Sedec anunciou a criação de um canal de denúncias anônimas para reportar mensagens suspeitas. O órgão também reforçou a verificação de contas oficiais com certificação digital. “A credibilidade da instituição depende da precisão das informações”, conclui Ferreira.