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Um acidente em uma mina pertencente à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, resultou na morte de um trabalhador. O Ministério do Trabalho confirmou na quarta-feira (27) que iniciou uma investigação para apurar as circunstâncias do incidente, que ocorreu na última sexta-feira (22), durante operações de perfuração em uma área de mineração de minério de ferro.

Segundo informações preliminares, o trabalhador, identificado como João Silva (62 anos), estava operando uma perfuratriz quando uma estrutura de rocha cedeu, enterrando-o sob escombros. Colaboradores da CSN relataram que o acidente aconteceu em uma área já mapeada como de risco, apesar de a empresa ter realizado monitoramento geotécnico na região. O corpo foi resgatado após cerca de três horas de busca e deslocamento de equipamentos.

A CSN informou, em comunicado oficial, que “assume total responsabilidade pelo fato e colabora com as autoridades para esclarecer as causas do acidente”. A empresa destacou que a mina atua com protocolos de segurança alinhados às normas regulamentares e que já havia interrompido temporariamente atividades em áreas adjacentes para reavaliar condições de trabalho.

O Ministério do Trabalho iniciou vistorias no local com equipes de engenheiros de segurança, inspetores do trabalho e especialistas em mineração. Entre os focos da investigação, estão a conformidade dos equipamentos utilizados, o cumprimento de procedimentos de monitoramento de riscos geológicos e a capacitação dos trabalhadores. A Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) também anunciou a realização de audiências com testemunhas e análise de registros técnicos da CSN.

Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) cobraram uma análise mais aprofundada do sistema de gestão de riscos da empresa. “A mineração é uma das atividades com maior índice de acidentes no país, e a CSN, apesar do histórico de investimentos em segurança, vive constantes desafios em ambientes de alta complexidade geológica”, afirmou o presidente da CNTI, Carlos Mendes.

Dados do Ministério do Trabalho revelam que, em 2023, o setor de mineração registrou 147 acidentes graves no Brasil, sendo 32 com óbitos — um aumento de 15% em relação ao ano anterior. No Rio Grande do Sul, onde a CSN opera uma das maiores minas de minério de ferro do país, foram registrados 21 acidentes em 2023, incluindo três mortais.

A investigação do Ministério do Trabalho pode levar à aplicação de multas e determinação de medidas corretivas obrigatórias. Caso sejam comprovadas irregularidades, a CSN poderá enfrentar penalidades administrativas, além de responsabilização criminal de responsáveis diretos. A família de João Silva já iniciou processo judicial para indenização, conforme informações do advogado da família, Marcelo Oliveira.

O Ministério do Trabalho reforçou o compromisso de tornar públicos os resultados da investigação no prazo legal. “A transparência é essencial para prevenir novos acidentes e garantir que as medidas de segurança sejam rigorosamente aplicadas”, afirmou o ministro da pasta, Ronaldo Nogueira.

Enquanto isso, a CSN anunciou a realização de uma reunião emergencial com seus colaboradores para atualizar as medidas de segurança e prestar suporte às famílias das vítimas. A empresa também prometeu doar recursos para instituições ligadas à segurança no trabalho.

O caso destaca novamente a tensão entre a economia da mineração — um setor estratégico para o país — e as exigências de segurança no ambiente de trabalho. O Ministério do Trabalho reitera que não medirá esforços para garantir que as leis sejam respeitadas, independentemente do porte da empresa envolvida.

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