
Um homem foi preso na madrugada de ontem após ser acusado de fraturar o rosto de sua filha de 8 anos com um cabo de rodo em um caso de violência doméstica registrada no município de São Luís, no Maranhão. A criança foi atendida em um hospital da região e encontra-se sob cuidados de equipes médicas especializadas.
Segundo informações preliminares da polícia, a detenção ocorreu após uma denúncia anônima ao Centro de Atendimento à Mulher (CAM) e ao Conselho Tutelar. A criança estava acompanhada da mãe, que relatou ao órgão de proteção à infância que o acusado teria agido em um surto de raiva após uma discussão familiar. “O homem teria levantado o objeto e atingido a menina no rosto por motivos ainda em investigação”, afirmou a delegada responsável pelo caso, Maria Helena Costa.
Testemunhas informaram que a cena teria sido flagrada por vizinhos, que acionaram as autoridades. “Houve gritos e uma correria, mas a criança não estava acompanhada de adultos no momento do incidente”, disse uma vizinha, que preferiu não se identificar. A Polícia Civil já instaurou inquérito para apurar os crimes de lesão corporal culposa e abuso de autoridade, com possibilidade de ação penal criminal.
O acusado, que não teve o nome divulgado, foi encaminhado para a Central de Flagrantes e responderá em liberdade por “falta de condições de custódia”, segundo a delegacia. A mãe da criança, que não apresenta lesões, negou ter participado do ato e afirmou estar “chocada” com a ação do ex-parceiro. O caso será analisado pelo Ministério Público, que vai decidir sobre a continuidade do inquérito.
Advogados especializados em direito de família destacam a gravidade do caso. “Lesões em crianças cometidas por familiares são consideradas crimes hediondos, com penas mais severas. A fratura facial configura uma lesão de natureza grave, o que pode elevar a punição”, explicou o advogado Luís Fernando Almeida. O Conselho Tutelar informou que a menina está sob acompanhamento psicológico e será transferida para uma instituição de acolhimento, com autorização judicial.
Organizações de defesa de crianças e adolescentes reforçaram a necessidade de denúncias imediatas em casos de violência. “Cada minuto conta para evitar sequelas físicas e emocionais irreversíveis”, afirmou representante da ONG Defenda Criança. A rede de atendimento ao caso inclui também o Núcleo de Apoio à Criança (NAC) e a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
A polícia reforçou a recomendação de que familiares em situação de risco devem procurar os órgãos de proteção, que oferecem serviços 24 horas. “Não há justificativa para violência contra crianças. A sociedade precisa denunciar”, disse a delegada Maria Helena Costa.
O caso será tema de audiência de custódia na próxima semana, quando será decidido se o acusado responderá preso ou não. O município já confirmou o apoio de assistentes sociais para a família da criança. A reportagem segue acompanhando o andamento do inquérito.



