MEIO AMBIENTE

Montes Claros decreta situação de emergência devido à estiagem

Montes Claros, cidade do interior de Minas Gerais, decretou situação de emergência na semana passada devido aos efeitos da estiagem prolongada. A medida, publicada no Diário Oficial do município, foi tomada após o colapso de reservatórios e a redução acentuada da vazão dos rios que abastecem a região.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a bacia hidrográfica de Montes Claros apresenta um déficit de 70% em relação à média histórica de precipitação. A situação afeta diretamente os 300 mil habitantes do município, que enfrentam racionamento de água e interrupções no abastecimento de áreas periféricas.

O deputado estadual João Batista, que apresentou um projeto de lei para ampliar recursos emergenciais, destacou que a crise foi agravada pela redução de manutenção de barragens ao longo dos últimos anos. “A falta de investimentos em infraestrutura hídrica compromete o equilíbrio ambiental e a segurança alimentar da região”, afirmou em entrevista coletiva.

O governo municipal já iniciou ações de contenção, incluindo a operação de caminhões-pipa para atender comunidades rurais e a instalação de filtros de barreira para tratar águas superficiais. A Coordenação de Defesa Civil monitora diariamente os níveis dos principais mananciais, como a Barragem da Serra do Facão, que está com 15% de sua capacidade útil.

Estudos da UFMG apontam que a estiagem está ligada a padrões climáticos anômalos e ao aquecimento global. O secretário estadual de Recursos Hídricos, Carlos Mota, informou que o governo mineiro está negociando com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma linha de crédito de R$ 150 milhões para obras de recuperação de nascentes.

Populações ribeirinhas e agricultores familiares são os mais afetados. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o produtor rural Antônio Ferreira destacou: “As lavouras morreram, o gado está com fome e não temos perspectiva de chuva até o final do ano.” A Federação das Associações de Moradores de Montes Claros (FAMMC) protocolou uma petição pedindo ajuda federal para o setor agrícola.

Organizações ambientalistas criticam a ausência de políticas públicas de longo prazo para enfrentar desafios como a escalada da desertificação. “Enquanto não houver integração entre gestão de recursos hídricos e mudanças climáticas, crises como esta irão se repetir”, alertou a bióloga Fernanda Lima, da ONG SOS Mata Atlântica.

A situação de emergência vigorará por 180 dias, prorrogável conforme necessidade. O município pede, ainda, que a sociedade civil participe de campanhas de conscientização sobre uso racional de água e preservação de matas ciliares.

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