
O governo federal renovou a cota zero para veículos elétricos, medida que isenta esses automóveis de impostos de importação e ICMS, reduzindo significativamente seus preços no Brasil. A decisão, anunciada em junho de 2024, visa acelerar a transição energética e ampliar o acesso ao transporte sustentável. A cota, válida por dois anos, beneficia tanto fabricantes quanto consumidores, estimulando a competitividade do setor.
Antes da renovação, a isenção tributária já reduzia os custos dos veículos elétricos em até 40%, conforme relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a atualização, o preço médio de modelos como Nissan Leaf, Tesla Model 3 e Chevrolet Bolt caiu R$ 20 mil em comparação a 2022, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Automotiva (Anfavea).
A medida também impacta diretamente a economia de energia e emissões de carbono. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a frota de carros elétricos no Brasil emite anualmente 300 mil toneladas de CO₂ a menos do que veículos a combustão. A expectativa é que com a cota zero, o número de unidades em circulação duplique em 2025.
Empresas como a Renault e a Volkswagen já anunciaram a ampliação da produção de veículos elétricos no país, aproveitando a redução de custos. “A cota zero é um passo crucial para que o Brasil se alinhe a mercados globais como Europa e China”, afirmou o presidente da Anfavea, José Renato Souza, em entrevista à Reuters.
Apesar dos benefícios, críticos destacam a necessidade de infraestrutura, como pontos de recarga, para sustentar o crescimento do setor. O governo planeja investir R$ 2 bilhões até 2026 em postos de carregamento, priorizando grandes centros urbanos e rodovias federais.
Para o consumidor, a atração é clara: além do desconto inicial, a manutenção de carros elétricos é 30% mais barata que de veículos convencionais, segundo estudo da Universidade de São Paulo (USP). A economia também se reflete no custo de energia, que hoje equivale a R$ 0,20 por 100 km rodados, contra R$ 50 em combustíveis fósseis.
No cenário internacional, o Brasil entra no grupo de nações com políticas ativas de incentivo à mobilidade elétrica. Países como Noruega e Holanda já demonstram que políticas semelhantes são eficazes — 60% das vendas de automóveis na Noruega são elétricos. O desafio agora é manter o ritmo sem comprometer a sustentabilidade fiscal.
A renovação da cota zero representa um equilíbrio entre inovação tecnológica e responsabilidade ambiental. Para especialistas, o sucesso dependerá de parcerias público-privadas e de uma visão de longo prazo, capazes de transformar o Brasil em referência da economia verde na América Latina.
