
A recente tensão entre a Rússia e o Ocidente voltou à tona após alegações de envenenamento envolvendo críticos do governo russo. O governo russo desmentiu essas acusações, classificando-as como uma forma de “necropropaganda”, uma expressão usada para descrever o uso de informações sobre mortes ou doenças para fins políticos.
As alegações começaram a ganhar destaque após reportagens de imprensa que afirmavam que vários opositores haviam sido vítimas de tentativas de envenenamento. As autoridades russas reagiram veementemente, afirmando que tais alegações são infundadas e uma tentativa de desacreditar a imagem da Rússia no cenário internacional.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou em entrevista coletiva que a apelação ao envenenamento serve apenas para manipular a opinião pública e desviar a atenção de questões internas que o Ocidente enfrenta. “Essa é uma campanha de desinformação e uma tentativa de manchar nosso país com narrativas falsas”, disse Peskov.
A Russia Today (RT) e outros órgãos de mídia apoiadores do governo intensificaram a retórica, apresentando comentários de analistas que argumentam que essas alegações são parte de uma estratégia mais ampla para promover a agenda ocidental contra a Rússia, especialmente em tempos de crise internacional.
Essas tensões ocorrem em um contexto mais amplo de relações desgastadas entre a Rússia e diversas potências ocidentais, acentuadas por diversos eventos, incluindo sanções econômicas e a guerra da Ucrânia. A narrativa da “necropsicologia”, conforme se referem os críticos, sugere que o uso de mortes e envenenamentos é uma ferramenta retórica que ajuda a cimentar a narrativa ocidental de um “inimigo” em Moscovo. Sem dúvida, essa utilização de termos específicos e dramatização tem como objetivo fortalecer as alianças ocidentais.
Enquanto autoridades e analistas discutem essas questões, manifestantes voltaram a ocupar as ruas de algumas cidades, exigindo esclarecimentos sobre as alegações de envenenamento, o que reflete a divisão da opinião pública russa sobre a condução da política externa do país. Por outro lado, a propaganda estatal continua firme em negar qualquer responsabilidade e exortar a população a não se deixar levar por relatos provenientes de fontes ocidentais.
O envenenamento de figuras públicas, como no caso de Alexei Navalny, um dos opositores mais proeminentes do presidente russo Vladimir Putin, contribui para a atmosfera de desconfiança em relação ao governo. Navalny, que sobreviveu a uma tentativa de envenenamento em 2020, é frequentemente citado em debates sobre direitos humanos e transparência no país.
Enquanto isso, a tensão não mostra sinais de diminuição, com a Rússia continuando a defender suas ações e a criticar a narrativa ocidental. A crescente polarização e a narrativa de “nós contra eles” são mantidas por ambos os lados, dificultando a busca por um diálogo construtivo.
Com a situação em constante desenvolvimento, o impacto dessas alegações na política interna e nas relações internacionais da Rússia permanece incerto, mas certamente continua a ser um tema central nos debates sobre a dinâmica política global contemporânea.