
Na última semana, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, comemorou a reversão de uma decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que havia suspendido a execução do modelo cívico-militar nas escolas estaduais. Este modelo, que combina a gestão escolar com a disciplina típica das forças armadas, foi alvo de debates intensos desde sua implementação, sendo defendido por seus apoiadores e criticado por aqueles que alegam que ele não atende às necessidades educacionais contemporâneas.
O TCE havia determinado a paralisação do projeto devido a inconsistências financeiras e operacionais, mas a justificativa do governo para a continuidade do programa foi a necessidade de aprimorar a segurança e a disciplina nas escolas. Segundo Zema, a aprovação do modelo é uma vitória para a sociedade e um passo importante em direção a uma educação mais robusta. A implementação do sistema cívico-militar foi originalmente projetada para fomentar valores cívicos e reforçar a disciplina, características que, segundo a administração estadual, estariam em falta nas escolas tradicionais.
O modelo, que já está em vigor em várias instituições de ensino, é caracterizado pela inclusão de militares ativos ou da reserva na administração escolar, com o intuito de introduzir práticas de gestão que promovam tanto a educação acadêmica quanto a formação moral dos estudantes. A decisão do TCE, que poderia interromper essa abordagem, foi considerada um obstáculo pelas autoridades estaduais. No entanto, após revisão legal, o governo conseguiu reverter a situação e manter o projeto em andamento.
Contudo, essa temática gera controvérsias. Críticos do modelo argumentam que a presença militar nas escolas pode criar um ambiente avesso à liberdade de expressão e que a educação deve se basear em princípios pedagógicos modernos, ao invés de práticas disciplinares rígidas. Os opositores também apontam a falta de evidências concretas que sustentem a eficácia do regime cívico-militar em melhorar os índices educacionais.
Além disso, há preocupações sobre o impacto que a adoção desse modelo pode ter em comunidades com forte histórico de militarização e violência. De acordo com especialistas educacionais, as prioridades de gestão devem ser reformuladas para focar em inclusão, diversidade e inovação pedagógica, oferecendo uma resposta mais adequada aos desafios educacionais que o Brasil enfrenta atualmente.
Apesar das controvérsias, Zema e seus aliados enfatizam que o modelo cívico-militar é uma resposta a demandas por maior segurança e ordem nas escolas. Eles argumentam que uma abordagem disciplinar é necessária em um contexto sociocultural onde a violência e a indisciplina podem impactar negativamente o aprendizado.
A retórica em torno do cívico-militarismo nas escolas é um refletor das divisões políticas que permeiam a sociedade brasileira. Enquanto parte da população clama por maior rigor nas diretrizes educacionais, outra parte exige a promoção de uma educação que priorize a diversidade e a respeito pelas demandas dos estudantes e da comunidade.
À medida que essa situação evolui, a administração estadual deverá acompanhar de perto os resultados do modelo. Indicadores de desempenho educacional e a percepção da comunidade escolar poderão oferecer insights valiosos sobre a viabilidade a longo prazo deste experimento educacional. Com isso, o futuro do modelo cívico-militar nas escolas de Minas Gerais se mantém repleto de possibilidades e desafios.”