
A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, dividiu opiniões no setor produtivo brasileiro. Essa decisão, que se estende desde setembro de 2021, visa conter a inflação, mas traz impactos significativos sobre a atividade econômica.
O setor industrial, representando uma parte crucial da economia nacional, demonstra preocupação. As indústrias, especialmente aquelas que dependem de crédito para investir e expandir, sentem o peso da alta taxa de juros. Empresários alertam que a restrição ao crédito pode atrasar a recuperação pós-pandemia e limitar a geração de empregos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enfatiza que o nível atual da Selic é incompatível com práticas saudáveis de investimento.
Por outro lado, o setor de serviços, que inclui empresas ligadas ao turismo, entretenimento e comércio, expressa um certo otimismo cauteloso. Profissionais de turismo e comércio relatam que a demanda tem se recuperado após a pandemia, embora o custo do crédito alto ainda seja uma barreira. A Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav) alerta que a manutenção da Selic elevada pode diminuir a disposição do consumidor para gastar.
Os especialistas em economia afirmam que a Selic alta é um instrumento importante para controlar a inflação, que continua acima da meta estabelecida pelo Banco Central. Contudo, o dilema é evidente: a luta contra a inflação não deve sacrificar o crescimento econômico em um momento tão crítico. A decisão do Copom visa stabilizar o peso da inflação sobre a população, que também sofre com o aumento dos preços dos alimentos e combustíveis.
Os analistas têm se debruçado sobre o impacto a longo prazo dessa política monetária. A previsão é de que, se mantida, a Selic poderá inibir a capacidade de recuperação econômica e aumentar o custo de vida, resultando em uma espiral de dificuldades para os consumidores. O setor agrícola, outra força motriz da economia brasileira, também reflete sobre a situação. Com a alta taxa de juros, os custos para financiar atividades agrícolas aumentam, colocando em risco a produção e, por consequência, a segurança alimentar no país.
Apesar das preocupações, alguns economistas veem a estabilidade da taxa de juros como um sinal de confiança da autoridade monetária na economia. Eles argumentam que essa abordagem fornece um ambiente previsível para o mercado, permitindo que as empresas planejem suas atividades em um cenário de juros estáveis, mesmo que altos.
À medida que o Brasil navega por esse cenário desafiador, o debate sobre a Selic prossegue entre os diversos setores da economia. A expectativa é que as próximas reuniões do Copom revelem novos indicadores que possam orientar uma possível mudança na política de juros a depender da evolução da inflação e do crescimento econômico.
O governo precisa balancear cuidadosamente a luta contra a inflação e o estímulo ao crescimento econômico, pois ambas as questões táticas têm repercussões significativas para todos os segmentos da sociedade brasileira. O que se avizinha é um período de monitoramento atento das políticas implementadas e de suas reverberações no cotidiano dos brasileiros.