
Recentemente, o ex-presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, lançou um aviso contundente sobre as consequências do eventual término do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START). Em suas declarações, Medvedev expressou preocupações sobre uma nova corrida armamentista que poderia emergir em um contexto de crescente tensão entre os Estados Unidos e a Rússia.
O New START, um dos últimos pactos de controle de armas nucleares entre as duas potências nucleares, está em seu período final e sua possível extinção levanta questões sérias sobre a segurança global. Acordo original, assinado em 2010, tem como foco a redução do arsenal nuclear, limitando o número de ogivas implantadas e os sistemas de entrega. A expiração deste tratado poderia resultar em um acesso irrestrito ao desenvolvimento e à implantação de novas armas nucleares.
Medvedev, que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, enfatizou que “se o New START for encerrado, não teremos limites para nossos arsenais nucleares”. Ele insinuou que, em tal cenário, a Rússia se veria compelida a modernizar e expandir suas forças nucleares, intensificando a corrida armamentista com os Estados Unidos e suas alianças. Ele acrescentou que isso não apenas “ameaça a estabilidade global, mas também poderá colocar em risco a segurança dos países envolvidos, incluindo aliados da OTAN”.
A advertência de Medvedev surge em meio a um clima de desconfiança e hostilidade nas relações entre Rússia e Ocidente. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 exacerbou ainda mais estas tensões, e muitos analistas veem no fortalecimento das capacidades armamentistas um reflexo desse conflito prolongado.
Além disso, as negociações para a extensão do New START não parecem promissoras. O governo russo mantém uma retórica firme sobre suas exigências de segurança, enquanto os Estados Unidos, por sua vez, insistem em condições que envolvem não apenas a contenção da Rússia, mas também a inclusão de outras potências nucleares, como a China. A ausência de diálogo construtivo sobre o futuro do tratado tem gerado apreensão em várias esferas políticas sobre a possibilidade de um desarmamento nuclear eficaz.
As análises de especialistas em segurança global sugerem que o fim do New START poderia levar a um perigoso limiar de incertezas. Em um ambiente em que tanto os EUA quanto a Rússia têm mostrado interesse em expandir suas capacidades militares, as consequências da corridas armamentistas poderiam ser severas, potencialmente resultando em um aumento das tensões militares nas regiões em disputa.
Apesar dos avanços nas capacidades militares, tanto a Rússia quanto os Estados Unidos ainda reconhecem a importância da comunicação em tempos de crise. A série de diálogos que ocorreram ao longo das últimas décadas tem sido fundamental para evitar mal-entendidos, mas esse canal de comunicação está se tornando cada vez mais estreito, levando muitos a questionar se a diplomacia será capaz de superar a iminente crise de segurança.
Com o crescente receio da explosão de um novo conflito armamentista, a comunidade internacional observa atentamente o desenrolar destes processos. A possibilidade de os países se lançarem em uma corrida armamentista sem a supervisão de um tratado efetivo apresenta riscos significativos, não apenas para os estados envolvidos, mas para a segurança global como um todo.
Em resumo, enquanto Medvedev destaca o impacto da dissolução do New START, a crescente insegurança no cenário global sublinha a urgência de um retorno ao diálogo e à cooperação em questões de desarmamento. Assim, a estabilidade e a paz internacional dependem da capacidade das nações de agir de maneira diplomática e construtiva frente a esses desafios.