
A recente decisão de remover os orelhões das ruas brasileiras representa uma transformação significativa na maneira como a comunicação se efetua em um mundo cada vez mais conectado. Os orelhões, que por décadas foram um símbolo da comunicação pública no Brasil, estão desaparecendo gradativamente, substituídos por tecnologias mais modernas e práticas.
Os orelhões foram introduzidos em 1972, quando a necessidade de comunicação se expandia rapidamente no país. Eles se tornaram um ícone, especialmente em grandes centros urbanos, onde tinham grande relevância para uma população que, na época, contava com menos acesso à telefonia móvel. Contudo, atualmente, com o avanço da tecnologia e a universalização dos smartphones, os orelhões se tornaram obsoletos.
A primeira grande onda de remoções começou em 2017, com a concessionária de telefonia Oi, que anunciou a retirada de 70% de seus orelhões devido à diminuição do uso. Dados mostram que em 2012, a média de chamadas feitas de orelhões era de cerca de 10 milhões por mês, enquanto em 2022 esse número caiu drasticamente para menos de 1 milhão.
Além da baixa utilização, a manutenção dos orelhões se mostrou economicamente inviável. O custo da manutenção, dos reparos e da limpeza dessas cabines é elevado e muitas vezes não se justifica diante de seu uso limitado. Ademais, as redes de telefonia móvel proporcionaram uma alternativa mais acessível e prática para a comunicação.
Outro fator que contribuiu para a retirada dos orelhões foi o avanço da tecnologia de comunicação. Com a abrangência da internet móvel, cada vez mais pessoas têm acesso a aplicativos de mensagem e chamadas por voz, que têm se tornado a norma no cotidiano.
Além da transformação na comunicação, a remoção dos orelhões também levanta questões sobre a preservação de um ícone cultural. Para muitos, esses aparelhos simbolizavam não apenas um meio de comunicação, mas também uma conexão com memórias e momentos importantes de suas vidas. As conversas feitas nas cabines, a espera por alguém, as ligações para entes queridos – tudo isso faz parte da história de várias gerações.
Nos últimos meses, diversos municípios já concretizaram a retirada dos orelhões, e a tendência é que essa prática se espalhe por todo o Brasil. No entanto, a oposição à decisão é visível, com grupos da sociedade civil se manifestando em defesa da preservação desses símbolos da era da comunicação pública.
Para as cidades que ainda mantêm os orelhões, o governo e as concessionárias enfrentam o desafio de equilibrar a modernização com a preservação de patrões culturais que, embora obsoletos em funcionalidade, carregam uma carga emocional e histórica significativa. A transição para o novo modelo de comunicação não deve encobrir a importância de reconhecer a história social e cultural que os orelhões representam.
O fim dos orelhões nas ruas brasileiras não significa apenas a remoção de equipamentos, mas sim a conclusão de um capítulo na história da comunicação no Brasil. O que fica é um legado de memórias e um convite à reflexão sobre como a tecnologia evolui e molda nossas interações diárias.