ECONOMIA

Ibovespa volta aos 174 mil pontos com aposta na Selic; dólar cai

Após波动 no mercado local e internacional, o Ibovespa, principal índice da B3, retomou a marca de 174 mil pontos nesta semana, impulsionado pelas expectativas de ajuste da taxa Selic pelo Banco Central. O movimento ocorre em paralelo à desvalorização do dólar frente ao real, refletindo a confiança dos investidores na política monetária do país.

Segundo dados do mercado, o Ibovespa subiu 1,2% na jornada de quinta-feira, fechando em 174.320 pontos. Analistas atribuem o desempenho à projeção de corte da Selic em 2024, que poderia estimular a economia e atrair investimentos. O Banco Central, no entanto, manteve a taxa em 13,75% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas sinalizou alívio gradual nas próximas etapas.

O dólar comercial caiu 0,8% para R$ 5,15, enquanto o dólar futuro recuou 0,6%. Especialistas vinculam a queda à percepção de menor pressão inflacionária e à melhora nas contas externas brasileiras. “O cenário aponta para uma redução dos juros em 2024, o que torna os ativos locais mais competitivos”, afirmou o economista Pedro Menezes, da corretora XYZ.

Empresas do setor de energia e de bens duráveis lideraram o avanço do índice, com destaque para Petrobras (+3,4%) e Vale (+2,1%). Setores como tecnologia e saúde tiveram desempenho moderado, em linha com a média do mercado. Investidores também observaram o desempenho do dólar norte-americano, que perdeu força diante do enfraquecimento das expectativas de aperto monetário nos EUA.

Apesar do otimismo, analistas alertam para riscos externos, como a guerra comercial entre China e Estados Unidos e a volatilidade do petróleo. “O mercado está barato, mas não é imune a choques”, avaliou Ana Lúcia Oliveira, da corretora ABC. “O equilíbrio entre política monetária e inflação será crucial nos próximos meses.”

As ações do Ibovespa estão entre as mais negociadas da semana, com volume de R$ 2,3 bilhões registrados até o fechamento de quinta-feira. O índice acumula alta de 4,5% no mês, enquanto o dólar desvaloriza 3,2% em relação a abril.

O Banco Central não divulgou projeções oficiais sobre a Selic no curto prazo, mas o mercado financeiro segue pressionando por cortes de 1 ponto porcentual até o final do ano. O cenário reflete a complexidade do balanço entre combater a inflação e impulsionar a economia, desafio constante das autoridades monetárias.

Com a retomada do Ibovespa, investidores de longo prazo têm visto oportunidades em ações de valor e empresas estáveis, enquanto pequenos investidores buscam proteger seus patrimônios com títulos públicos e CDBs. O mercado espera um julho positivo, com a divulgação do PIB do segundo trimestre e a possibilidade de novas medidas do governo federal.

No cenário internacional, o índice S&P 500 subiu 0,7% e o Nasdaq avançou 0,4%, influenciados pela redução das taxas de juros na Europa e pela desaceleração da inflação nos EUA. Esses movimentos reforçam a tendência de maior apetite por risco, beneficiando mercados emergentes como o brasileiro.

O cenário aponta para uma maior estabilidade no curto prazo, mas os desafios estruturais da economia, como a reforma tributária e a dívida pública, permanecem como foco das discussões. Para os especialistas, o Brasil está posicionado para aproveitar a nova onda de confiança, desde que as políticas públicas sejam alinhadas ao crescimento sustentável.

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