ECONOMIA

Ibovespa volta aos 174 mil pontos com aposta na Selic e dólar cai

O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), voltou a alcançar a marca de 174 mil pontos nas negociações da semana, impulsionado por apostas no ajuste da Selic (taxa de juros básica do Brasil). Paralelamente, o dólar comercial caiu a R$ 5,20, registrando uma leve desaceleração frente ao real após semanas de volatilidade. A combinação de fatores macroeconômicos, como a expectativa de redução da Selic pelo Banco Central e a melhora na confiança do mercado, contribuiu para o desempenho positivo do índice acionário.

De acordo com dados da B3, o Ibovespa acumula uma alta de 2,3% na semana, com destaque para setores como energia elétrica, materiais e tecnologia. Analistas apontam que a redução gradual da Selic, prevista para os próximos meses, está estimulando investidores a buscar ativos de risco, como ações e moedas locais, em detrimento de ativos de baixo risco, como o dólar. A expectativa é de que o Banco Central encerre o ciclo de aperto monetário em 2024, após 12 anos de alta consecutiva na taxa Selic.

O dólar caiu 0,8% na sessão, negociado a R$ 5,20, refletindo a combinação de fatores internos e externos. No exterior, a desaceleração dos juros dos Estados Unidos, liderada pelo Federal Reserve (Fed), reduziu a pressão sobre moedas emergentes. No Brasil, a melhora nas perspectivas fiscais e a menor inflação (101,5% em outubro, ante 105,6% em setembro) reforçaram a confiança no cenário econômico. “O mercado está antecipando um ambiente mais favorável para o crédito e para a inflação, o que reduz a demanda por dólar como proteção contra a volatilidade”, afirma Carlos Alberto, economista-chefe da Tendências Consultoria.

No setor de ações, empresas ligadas a setores cíclicos, como construtoras e siderúrgicas, registraram altas superiores a 4%, beneficiadas pela expectativa de recuperação do PIB em 2024. Já os bancos e o setor de tecnologia tiveram desempenho discreto, com oscilações em torno de 1%. O Banco do Brasil e a XP Investimentos lideraram as maiores valorizações do dia, enquanto Itaú Unibanco e Nubank registraram variações menores.

Especialistas destacam que a dinâmica entre Selic, dólar e Ibovespa reflete a complexidade do mercado financeiro brasileiro. “A Selic influencia diretamente os custos de capital e os preços das ações, enquanto o dólar atua como um termômetro da confiança do investidor estrangeiro”, explica Marina Ferreira, analista da Índice Investimentos. Para 2024, a projeção é de que o Ibovespa encerre o ano entre 170 mil e 175 mil pontos, com oscilações relacionadas a eventos fiscais e eleitorais.

A desvalorização do dólar também impacta a economia real, reduzindo o custo de importações e beneficiando setores como automotivo e eletrônicos. No entanto, a queda da moeda norte-americana pode gerar pressão inflacionária caso a Selic não seja ajustada com cuidado. O Banco Central mantém a projeção de inflação de 3,75% em 2024, dentro da meta estabelecida pelo governo.

Investidores e analistas monitoram de perto os próximos anúncios da Selic, previstos para novembro e dezembro, além das eleições municipais em outubro. A combinação desses fatores será decisiva para definir o rumo do mercado financeiro brasileiro nos próximos meses. Enquanto isso, o Ibovespa segue como um termômetro da confiança dos investidores em um cenário de ajustes monetários e políticas públicas.

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