
Empresas de delivery enfrentam críticas por atrasos no repasse de receitas para restaurantes em Belo Horizonte. A plataforma digital 99Food, que integra serviços de entrega de alimentos, tem acumulado reclamações de estabelecimentos locais após relatos de pagamentos em atraso, segundo informações coletadas em setembro de 2023.
Restaurantes afiliados à plataforma relatam que os débitos podem ultrapassar 30 dias, gerando dificuldades no fluxo de caixa. “Temos que arcar com custos fixos como aluguéis e salários mesmo com os pagamentos atrasados”, afirma um dos donos, que optou por não se identificar. A 99Food não respondeu oficialmente às consultas da reportagem até o fechamento do texto.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, mais de 15% das empresas que atuam em parceria com plataformas de delivery em BH registraram queixas no segundo semestre de 2023. O problema afeta principalmente pequenos empresários, que dependem de vendas online para sustentabilidade financeira.
A 99Food, controlada pelo grupo 99, opera um modelo de comissão sobre as transações. O atraso no repasse, segundo especialistas, pode estar ligado a ajustes técnicos no sistema de pagamento ou a disputas contratuais entre as partes. “É preciso transparência sobre os prazos e critérios de pagamento”, destaca o professor de economia da UFMG, João Silva.
Representantes da Associação Mineira de Restaurantes (AMR) pedem regulamentação para garantir que plataformas digitais cumpram termos de contrato. “Essas empresas têm poder de mercado e devem ser fiscalizadas para evitar abusos”, afirma o presidente da entidade.
No cenário nacional, a crise no setor de delivery reflete desafios da economia colaborativa. Enquanto startups buscam escalar operações, pequenos negócios enfrentam vulnerabilidade. A 99Food, que lançou em 2022 um plano de expansão no Brasil, teria cerca de 2.000 restaurantes ativos em BH.
Neste momento, a reportagem aguarda resposta da empresa sobre os relatos de atrasos e medidas preventivas. Atualização: 99Food informou em nota que “trabalha para regularizar todos os pagamentos em andamento e está em contato direto com os parceiros afetados”.
A situação reforça a necessidade de diálogo entre tecnologia e pequenos negócios. Enquanto isso, o setor espera que os atrasos sejam solucionados para garantir continuidade às operações. “O delivery é uma porta de entrada para muitos clientes. Sem pagamento, não há sustentabilidade”, conclui o chef Paulo, dono de um restaurante na Savassi.
