
Brasília, 2023 – O embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Carlos Alberto de Souza Durigan, manifestou publicamente críticas às recentes sanções impostas pelo Departamento do Tesouro norte-americano a cidadãos brasileiros sob a acusação de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo criminoso atuante no Brasil.
Em comunicado oficial divulgado na semana passada, Durigan destacou que a ação dos EUA “não reflete a complexidade das relações diplomáticas entre nossos países” e reforçou o compromisso do Brasil em combater a criminalidade organizada por meio de canais legais e institucionais. A posição do Itamaraty ressalta que a cooperação internacional deve ser pautada no diálogo e no respeito mútuo, evitando medidas unilaterais que possam impactar relações estratégicas.
A decisão do Tesouro norte-americano, divulgada em 15 de setembro, incluiu nove brasileiros em lista de sancionados, acusados de facilitar o tráfico de drogas e o financiamento do PCC. Entre os nomes, figuras vinculadas a operações de logística e lavagem de dinheiro, segundo informações divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA.
O PCC, terceiro maior grupo criminoso do Brasil, tem ampla atuação em esquemas de tráfico internacional de drogas, especialmente para os EUA. Segundo dados da Polícia Federal, o grupo movimentou cerca de US$ 1,2 bilhão em transações ilícitas no primeiro semestre de 2023. Autoridades brasileiras têm colaborado com ações conjuntas para desarticular a estrutura do crime organizado, incluindo operações de inteligência e compartilhamento de informações.
Durigan enfatizou que o Brasil coopera com esforços globais de combate ao tráfico de drogas, mas reiterou a necessidade de que ações como as sanções sejam precedidas por investigações rigorosas e o direito à defesa. “Qualquer medida que afete cidadãos brasileiros deve ser precedida por evidências concretas e o cumprimento de procedimentos legais”, afirmou o embaixador.
A reação do Itamaraty segue uma tendência de maior engajamento diplomático do Brasil em temas de segurança internacional. Em junho, o Ministério das Relações Exteriores firmou um protocolo de cooperação com a Organização das Nações Unidas para intensificar ações contra a criminalidade transnacional.
Analistas destacam que a posição de Durigan reflete a preocupação do governo brasileiro em preservar relações comerciais e políticas com os EUA, mesmo diante de divergências pontuais. “Os EUA têm sido um parceiro estratégico do Brasil em áreas como defesa e energia, e sanções isoladas podem gerar desgaste”, observou o professor de relações internacionais da Universidade de Brasília, João Vítor Silva.
Enquanto isso, o Departamento do Tesouro norte-americano reiterou que as sanções são parte de uma estratégia global para combater redes criminosas que utilizam o sistema financeiro internacional. “Ações como estas são essenciais para interromper fluxos de dinheiro ilícito e proteger nossas comunidades”, declarou porta-voz do órgão, em comunicado à imprensa.
A tensão entre cooperação e autonomia diplomática permanece como pauta central nas relações entre os países. Comerçistas e estudiosos acompanham de perto como o tema será abordado nas próximas reuniões do Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil e os EUA têm atuação significativa.



