MEIO AMBIENTE

Resgate de Saruê albino em shopping do DF revela preocupação com vida selvagem e preservação

**

Um evento inusitado chamou a atenção da sociedade brasileira na última semana: o resgate de um raro Saruê albino flagrado circulando dentro de um shopping center em Brasília. A espécie, conhecida como *Callithrix penicillata*, é uma das seis espécies de micoes nativas do Brasil e está classificada como “vulnerável” na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). O caso reforça a importância de ações de preservação e controle do tráfico de animais silvestres.

O Saruê albino foi localizado por equipes do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas/DF) após denúncia anônima de um cidadão que observou o animal em um centro comercial da capital federal. Segundo informações divulgadas pelo órgão, o primata estava em bom estado de saúde, mas sua presença em ambiente urbano gerou preocupação quanto a sua origem. “Esse tipo de situação indica, com alta probabilidade, que o animal foi removido de seu habitat natural”, afirmou a bióloga responsável pelo caso, Maria Eduarda Silva.

Os Saruês são pequenos primatas que habitam a Caatinga, Bioma ameaçado que abriga 40% das espécies endêmicas do país. Os indivíduos albinos, como o resgatado, são extremamente raros — essa condição genética ocorre em menos de 1% da população. A falta de pigmentação na pelagem não apenas os torna mais visíveis a predadores, mas também mais suscetíveis a doenças dermatológicas.

Após a captura, o animal foi encaminhado para o Centro Nacional de Monitoramento e Fiscalização do Meio Ambiente (Cenap), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Lá, passará por avaliação veterinária e, se não houver indícios de domesticação antropizada, será liberado em unidade de conservação adequada. A legislação brasileira proíbe o tráfico, posse ou guarda ilegal de animais silvestres, punindo com prisão e multa quem descumprir as normas.

O resgate do Saruê albino ocorre em um momento crítico para a fauna nacional. Dados do IBAMA apontam que mais de 15 mil animais silvestres são apreendidos anualmente em operações de combate ao tráfico. A prática, muitas vezes, envolve a captura de filhotes que, privados de seus pais, têm baixa sobrevivência em cativeiro. “Cada animal resgatado representa uma esperança de recuperação ecológica, mas também serve como alerta sobre os impactos da desmatamento e do comércio ilegal”, destacou o coordenador do Cenap, João Marcelo Ferreira.

Para a sociedade, o caso ilustra a necessidade de denúncias cidadãs e a importância de manter a fauna local em seus habitats naturais. As redes sociais amplificaram o resgate, com usuários destacando a beleza e a fragilidade desse primata. “A coexistência com a natureza exige respeito e responsabilidade. Cada ação conta para garantir que espécies como o Saruê continuem a viver livres”, afirmou uma seguidora em postagem viral.

Atualmente, o Cenap monitora mais de 10 mil animais sob sua tutela, incluindo outras espécies ameaçadas como o lobo-guará e o jacaré-do-pantanal. A instituição também trabalha em parceria com comunidades locais para promover educação ambiental e combater práticas predatórias. O caso do Saruê albino será incluído no novo relatório anual do órgão, intitulado “A Biodiversidade em Risco: Ações e Desafios 2024”.

Enquanto o animal aguarda seu destino final, especialistas reforçam que a conservação da Caatinga — o bioma de origem dos Saruês — é essencial para garantir a sobrevivência da espécie. Atualmente, apenas 12% da Caatinga estão protegidos por unidades de conservação, segundo o Instituto Chico Mendes. Campanhas ambientalistas apontam que o desmatamento e o uso inadequado do solo comprometem até 40% da área original do bioma.

Com este resgate, o Brasil reafirma seu compromisso com a proteção da biodiversidade, mas também reforça a necessidade de engajamento coletivo. Como lembra a bióloga Maria Eduarda, “a natureza não pertence a ninguém, mas cabe a todos nós garantir sua existência para as próximas gerações”.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo