ECONOMIA

Central Clandestina de Criptomoedas do PCC é Descoberta em SP, Diz PM

A Polícia Militar (PM) de São Paulo confirmou na quarta-feira (10) a descoberta de uma central clandestina de mineração de criptomoedas operada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma fábrica abandonada no município de Guarulhos. O local foi localizado durante uma operação conjunta com a Secretaria de Segurança Pública, que resultou na apreensão de 122 servidores, equipamentos de mineração e cerca de R$ 1,2 milhão em criptomoedas ilegalmente obtidas.

Segundo informações divulgadas pela PM, a central funcionava desde 2023 e utilizava energia elétrica roubada de uma concessionária da região para reduzir custos. Os investigadores identificaram que o grupo criminoso utilizava computadores de alta capacidade para minerar criptomoedas como Bitcoin e Ethereum, direcionando os lucros para financiar atividades delituosas, incluindo tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

“Essa operação revela como o PCC está se adaptando às tendências do mercado para diversificar seus meios de financiamento”, afirmou o coronel João Silva, porta-voz da PM. O grupo investiga a possibilidade de conexão entre a central e outros esquemas de lavagem de dinheiro já desmantelados em outras unidades da Federação.

Os equipamentos apreendidos serão levados para uma sede da polícia federal para análise técnica e perícia digital. A investigação também visa identificar possíveis comparsas envolvidos no esquema e traçar o fluxo de transações ilegais no mundo virtual. A operação contou com o apoio da Receita Federal e do Banco Central.

De acordo com especialistas em segurança cibernética, a mineração ilegal de criptomoedas por organizações criminosas tem crescido exponencialmente nos últimos anos, atraídas pelo baixo custo marginal e a dificuldade de rastreamento. “Essa operação é um sinal de que as autoridades estão atentas a essas ameaças”, destacou o doutor em economia digital Marcus Oliveira.

A PM destacou que a descoberta da central em Guarulhos é parte de uma estratégia ampla contra o uso de tecnologias para fins criminosos. “Estamos trabalhando para garantir que as inovações tecnológicas não sirvam como ferramentas para o crime organizado”, ressaltou o coronel Silva.

O PCC, responsável por mais de 25% dos homicídios registrados no Brasil em 2023, enfrenta uma série de operações conjuntas em diversos estados nos últimos meses. A descoberta da central de criptomoedas reforça a preocupação com a capacidade do grupo de se reinventar em contextos de alta tecnologia.

O caso será submetido à Promotoria de Justiça para apuração de crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e uso de energia elétrica roubada. A justiça também analisará a responsabilidade de terceiros que possam ter fornecido equipamentos ou suporte técnico ao esquema.

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