
Um projeto de saneamento básico inédito está em fase de execução na Estrutural, região administrativa de Brasília, beneficiando mais de 20 mil moradores. A obra, financiada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) em parceria com a Caixa Econômica Federal, visa modernizar o sistema de esgotamento sanitário e drenagem pluvial da região, que enfrenta desafios históricos com alagamentos e contaminação de mananciais.
Segundo informações oficiais, a intervenção contempla a construção de 45 quilômetros de redes coletoras de esgoto, 22 bocas de lobo e a recuperação de vias urbanas afetadas pela construção. A previsão de conclusão é de 24 meses, com investimento total estimado em R$ 150 milhões. O GDF destacou que a obra atende a demandas expressas por comunidades locais em audiências públicas realizadas em 2023.
Entre os principais objetivos do projeto, o GDF informou que estão a redução de pontos de poluição no rio Descoberto, bacia hidrográfica que abastece parte da capital federal, e a melhoria da qualidade de vida dos moradores, que sofriam com odores e riscos sanitários em áreas de esgoto a céu aberto. A Secretaria de Infraestrutura destacou que a obra seguirá padrões de sustentabilidade, com reciclagem de materiais e preservação de áreas verdes.
A iniciativa faz parte do programa “Distrito Federal Sustentável”, lançado em 2022 para modernizar serviços públicos essenciais. O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou, em entrevista, que a Estrutural foi priorizada devido à densidade populacional e ao histórico de crise hídrica na região. “Investir em saneamento é garantir direitos básicos e proteger o meio ambiente”, afirmou.
Apesar da positividade do anúncio, moradores manifestaram preocupações com impactos do canteiro de obras. A comerciante Maria das Graças, que reside na Estrutural há 15 anos, destacou que “a obra chega tarde, mas é necessária. O importante é que não agrida mais a população com interrupções no fornecimento de água durante a execução”. O GDF informou que terá um plano de comunicação para informar a comunidade sobre eventuais interrupções.
Estudos técnicos apontam que a conclusção da obra reduzirá em 70% os casos de contaminação de águas superficiais na região. Além disso, a Secretaria de Saúde do DF vinculou a intervenção a uma campanha de educação ambiental, com ações de conscientização sobre a preservação de cursos d’água.
O Ministério Público do DF (MP-DF) acompanha a execução das obras como parte de ações de fiscalização ambiental. Procuradores destacaram que a Estrutural é uma das regiões com maior índice de poluição no Distrito Federal, segundo dados do Instituto de Meio Ambiente do Distrito Federal (Ibama-DF).
Autoridades locais destacam que a conclusão do projeto é fundamental para atender aos objetivos da Nova Agenda Urbana Brasileira, aprovada em 2021, que prioriza a universalização do saneamento básico até 2033. O GDF informou que já há estudos para alargar a intervenção a outras áreas da Estrutural em 2025.
Com a execução da obra, o GDF espera elevar a cobertura do esgotamento sanitário na Estrutural de 58% para 92%, segundo dados da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). A melhoria no sistema também viabilizará a ampliação da oferta de serviços de água potável, atualmente disponível a 85% da população da região.



