
O carnaval, uma das festas mais icônicas do Brasil, não se resume apenas à música e dança; em Brasília, a folia tornou-se um espaço de autocuidado e empoderamento social. Durante o período carnavalesco, diversos coletivos na capital federal vêm aproveitando a festividade para promover iniciativas que visam não apenas a alegria, mas também o bem-estar emocional e físico de seus participantes.
Com a crescente preocupação com a saúde mental e emocional, especialmente pós-pandemia, coletivos de homens e mulheres têm se reunido para fazer do carnaval um momento de reflexão e autocuidado. Esses grupos, formados por pessoas de diferentes idades e origens, optam por investir em atividades que cuidam do corpo e da mente, oferecendo espaço para diálogos sobre questões como prevenção, autoestima e enfrentamento de problemas sociais.
Coletivos como “Sororidade em Folia” e “Carnaval do Orgulho” promovem eventos que incluem rodas de conversa, oficinas de dança, yoga e práticas de meditação. Essas atividades são projetadas para criar conexões, estimular a empatia e facilitar um espaço seguro onde os participantes podem compartilhar suas experiências e emoções. A ideia é que a celebração carnavalesca potencie a atuação conjunta em prol de um bem-estar coletivo.
Além disso, a presença de psicólogos e profissionais da saúde nas atividades se tornou uma tônica. Durante as festividades, esses profissionais oferecem orientação e apoio emocional, contribuindo para a formação de uma rede de cuidado que transcende o período de carnaval. Para muitos participantes, essa abordagem é um convite a cuidar de si e do outro, valorizando a saúde em sua forma integral.
A inclusão social é, também, uma pauta significativa. Os coletivos têm buscado garantir que pessoas de todas as classes sociais possam participar das atividades, eliminando barreiras que costumam ser um empecilho durante eventos dessa magnitude. A diversidade é celebrada, e expressões culturais que refletem a rica tapeçaria social de Brasília estão em destaque, unindo o tradicional ao contemporâneo.
Os organizadores ressaltam que, muitas vezes, o carnaval é visto superficialmente, focando apenas em sua faceta festiva. No entanto, essa estratégia de tornar a folia um local de autocuidado e conscientização social conclama a sociedade a refletir sobre a importância de cuidar da saúde mental, especialmente em uma época de incertezas e desafios significativos.
Vários relatos de participantes demonstram que o carnaval, quando associado ao autocuidado, torna-se um espaço de renovação. A alegria da festa, combinada com o cuidado emocional, ajuda a restaurar a energia e a resiliência de cada indivíduo. Em um estudo recente realizado por um grupo de psicólogos em parceria com coletivos culturais, constatou-se que a participação em atividades de autocuidado durante o carnaval pode contribuir significativamente para a redução de níveis de ansiedade e estresse.
Essa nova forma de celebrar o carnaval, que prioriza o autocuidado e o bem-estar social, tem ganhado força e pode se tornar um exemplo a ser seguido em outras cidades. O desafio será não deixar que essas práticas sejam apenas uma moda passageira, mas sim um movimento contínuo de valorização da vida e da saúde mental. Ao integrar diversão e cuidado, Brasília se destaca como um modelo de como o carnaval pode ser um agente de transformação social.



