TECNOLOGIA

Senado aprova projeto que cria incentivos fiscais para data centers no Brasil

O Senado aprovou o projeto de lei que cria incentivos fiscais para a instalação e a expansão de data centers no Brasil. A proposta estabelece um regime especial para empresas do setor e busca atrair investimentos em infraestrutura digital, considerada estratégica para serviços de computação em nuvem, inteligência artificial, armazenamento de dados e plataformas digitais.

O texto prevê benefícios tributários para a importação e a aquisição de equipamentos destinados à construção e à operação dos centros de processamento de dados. Entre os itens contemplados estão servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de rede e componentes utilizados na montagem da infraestrutura tecnológica.

Para ter acesso ao regime especial, as empresas deverão cumprir contrapartidas previstas no projeto. Entre elas estão compromissos relacionados à realização de investimentos, à expansão da capacidade instalada e ao atendimento de requisitos ambientais e de segurança. A aplicação dos benefícios dependerá ainda da regulamentação do governo federal.

Os data centers são estruturas que reúnem milhares de servidores e sistemas de armazenamento. Eles processam e guardam informações utilizadas por bancos, empresas de comércio eletrônico, órgãos públicos, plataformas de streaming e aplicativos. A demanda por esse tipo de instalação aumentou com a expansão da computação em nuvem e o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.

O projeto também procura estimular a utilização de fontes renováveis de energia. O consumo de eletricidade é um dos principais custos de operação dos data centers, que precisam funcionar de forma contínua para evitar interrupções em serviços digitais. A exigência de critérios ambientais pretende reduzir o impacto das novas instalações e incentivar a contratação de energia de menor emissão de carbono.

Defensores da medida argumentam que o Brasil tem potencial para receber novos empreendimentos por causa da disponibilidade de fontes renováveis, da extensão territorial e do tamanho do mercado consumidor. A instalação de data centers pode ampliar a oferta de serviços digitais, reduzir a dependência de estruturas localizadas no exterior e melhorar o tempo de resposta de aplicações usadas por empresas e consumidores.

O governo também considera que o programa pode estimular a formação de mão de obra especializada e a criação de empregos nas áreas de tecnologia da informação, engenharia, segurança cibernética, manutenção e gestão de energia. O setor, no entanto, exige investimentos elevados e depende de condições específicas, como disponibilidade de eletricidade, conexão de alta capacidade e segurança jurídica.

A proposta recebeu ressalvas durante a tramitação em relação ao impacto dos benefícios sobre a arrecadação federal. A concessão de incentivos fiscais deverá ser acompanhada de mecanismos de controle, metas e avaliação dos resultados. O objetivo é evitar que as empresas recebam vantagens tributárias sem ampliar efetivamente a capacidade tecnológica ou gerar os investimentos previstos.

Com a aprovação pelo Senado, o projeto segue para a próxima etapa de tramitação prevista no processo legislativo. Caso o texto esteja concluído pelo Congresso, a matéria será encaminhada para sanção ou veto presidencial. A regulamentação posterior deverá definir os procedimentos para adesão ao regime, os equipamentos elegíveis e as obrigações que deverão ser cumpridas pelas empresas beneficiadas.

A aprovação ocorre em um momento de disputa internacional por investimentos em infraestrutura digital. Países da América do Norte, da Europa e da Ásia vêm oferecendo incentivos para atrair data centers, especialmente os voltados ao processamento de inteligência artificial. No Brasil, a medida pretende posicionar o país como um dos polos regionais de serviços digitais e computação de alto desempenho.

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