INTERNACIONAL

Secretário-geral da ONU alerta para avanço de guerras e riscos associados à inteligência artificial

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou para a expansão dos conflitos armados e para os riscos associados ao avanço acelerado da inteligência artificial. Segundo ele, o cenário internacional é marcado por guerras prolongadas, aumento das tensões entre grandes potências e dificuldades para a comunidade internacional encontrar respostas conjuntas.

As declarações foram feitas durante os debates que antecederam a abertura da 79ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2024. Na ocasião, Guterres afirmou que o mundo atravessa um período de instabilidade caracterizado pela multiplicação das crises e pelo enfraquecimento dos mecanismos tradicionais de cooperação internacional.

Entre os conflitos citados no contexto das discussões estavam a guerra entre Rússia e Ucrânia, a guerra na Faixa de Gaza e a crise humanitária no Sudão. A ONU também acompanha confrontos e instabilidades em outras regiões, como o Haiti, a Síria, o Iêmen e partes da África Subsaariana. Os conflitos têm provocado deslocamentos em massa, destruição de infraestrutura e dificuldades no acesso a alimentos, água e serviços de saúde.

Guterres defendeu que o respeito ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas deve continuar sendo a base das relações entre os países. O secretário-geral também criticou a falta de avanços em negociações de paz e pediu que os governos priorizem a proteção de civis, a ajuda humanitária e a busca por soluções diplomáticas.

Além das guerras, a inteligência artificial ocupou posição central nas preocupações apresentadas pelo secretário-geral. Ele afirmou que o desenvolvimento da tecnologia ocorre em velocidade superior à capacidade dos governos de estabelecer regras comuns para seu uso. Na avaliação da ONU, a ausência de padrões internacionais pode ampliar riscos relacionados à segurança, à desinformação, à privacidade e à desigualdade.

Um dos pontos de maior preocupação é o possível uso de sistemas de inteligência artificial em operações militares. A tecnologia pode ser empregada para identificar alvos, analisar dados de campo e acelerar decisões em conflitos. Especialistas e organizações internacionais discutem, porém, os limites para o uso de armas autônomas e a necessidade de garantir que decisões com consequências letais permaneçam sob controle humano.

Guterres também defendeu a criação de mecanismos de governança global para a inteligência artificial. A proposta inclui maior participação de países em desenvolvimento nas discussões, transparência por parte das empresas de tecnologia e medidas para reduzir impactos sociais e econômicos provocados pela automação.

As advertências foram apresentadas no contexto do chamado Pacto para o Futuro, aprovado pelos países-membros da ONU em setembro de 2024. O documento prevê compromissos em áreas como paz e segurança, desenvolvimento sustentável, reforma das instituições internacionais e governança das novas tecnologias.

Apesar dos acordos, a implementação das medidas depende da cooperação dos governos e da capacidade de transformar compromissos diplomáticos em políticas concretas. Para a ONU, o avanço simultâneo das guerras e das tecnologias de alto impacto exige respostas coordenadas, regras internacionais e instituições capazes de acompanhar as mudanças no cenário global.

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