COTIDIANO

Cotidiano da Maré é destaque em exposição de fotos que mostra a vida em uma das favelas mais conhecidas do Rio

A exposição fotográfica “Maré: Entre Memórias e Esperança”, aberta ao público desde a semana passada no Sesc 21 de Abril, traz um olhar profundo sobre a vida diária da comunidade da Maré, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. Com curadoria de fotógrafos renomados, o projeto busca mostrar a riqueza cultural, os desafios socioeconômicos e a resiliência da população que habita o local há décadas.

Localizada entre as zonas norte e sul da capital fluminense, a Maré abriga mais de 100 mil pessoas distribuídas em 14 comunidades. A exposição, que conta com 80 fotografias divididas em quatro núcleos temáticos — “Crianças e Juventude”, “Trabalho e Sustento”, “Espaços Comunitários” e “Herança Cultural” —, revela detalhes cotidianos, como a rotina de comerciantes nas ruas, aulas em escolas comunitárias e festivais de música e dança típicos da região.

Entre as imagens mais destacadas está a do artesão Elias dos Santos, que há 15 anos produz peças em madeira em sua oficina improvisada. “Aqui nasceu a minha paixão por artesanato e também as minhas preocupações com a segurança dos meus filhos”, afirma em entrevista registrada na mostra. A exposição também inclui registros de moradores da Vila Autódromo, área que foi desapropriada para a construção dos Jogos Olímpicos de 2016, mas que manteve parte de sua identidade cultural.

A iniciativa conta com o apoio da Fundação Banco do Brasil e do Instituto Moreira Sales, que destacam a importância de projetos que promovam a visibilidade das realidades periféricas. “Queremos quebrar estereótipos e mostrar que a Maré não é apenas uma favela, mas uma cidade dentro da cidade”, diz a curadora do projeto, Juliana Mendes.

Além das imagens, a exposição oferece um circuito interativo com vídeos, áudios e mapas históricos da comunidade. O evento segue até o dia 30 de novembro e já recebeu mais de 5 mil visitantes. Para o diretor do Sesc, Rogério Rizzi, o projeto é uma “celebração da diversidade e da força coletiva”.

A Maré, que viveu ondas de intervenção policial em 2013 e 2023, tem sido tema de debates políticos e sociais. A exposição surge como um contraponto à narrativa dominante, ressaltando a importância de políticas públicas que envolvam direito à moradia, educação e saúde para a população local.

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