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Kalil defende contrato do Mineirão que priorize clubes, e não apenas a concessionária

O ex-presidente do Atlético e ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil defendeu mudanças no modelo de gestão do Mineirão para que o contrato de concessão considere de forma mais direta os interesses dos clubes de futebol. Segundo ele, o estádio não pode operar em um formato que beneficie principalmente a empresa responsável pela administração do complexo.

O Mineirão é administrado pela Minas Arena desde 2010, quando o governo de Minas Gerais firmou uma parceria público-privada para a reforma e a operação do estádio. O contrato tem duração prevista de 25 anos e foi estruturado durante o período de preparação do país para a Copa do Mundo de 2014.

Ao longo dos anos, a relação entre os clubes e a concessionária foi marcada por discussões sobre valores de aluguel, custos de operação, divisão das receitas e condições para a realização de partidas. Cruzeiro e Atlético, os principais usuários do estádio em Minas Gerais, já manifestaram em diferentes momentos insatisfação com o modelo.

Na avaliação de Kalil, um novo acordo deveria levar em conta a importância dos clubes para a manutenção da atividade esportiva e para a própria movimentação econômica do Mineirão. A posição defendida pelo ex-dirigente é que as equipes tenham condições financeiras e operacionais para utilizar o estádio sem arcar com despesas consideradas incompatíveis com as receitas obtidas em dias de jogo.

A discussão ganhou força com a construção da Arena MRV, estádio do Atlético, e com a reorganização da relação do Cruzeiro com o Mineirão. Desde que passou a administrar sua própria arena, o Atlético reduziu a frequência de partidas no estádio da Pampulha, embora o Mineirão continue sendo utilizado em jogos específicos. O Cruzeiro, por sua vez, mantém o local como uma de suas principais opções para partidas como mandante.

O debate também envolve o papel do governo de Minas Gerais. Como responsável pelo contrato de concessão, o Estado acompanha a execução das obrigações previstas e pode negociar ajustes quando há questionamentos sobre o equilíbrio econômico-financeiro da parceria. Eventuais alterações, no entanto, dependem de análise jurídica, financeira e administrativa.

A Minas Arena sustenta que a operação do estádio envolve custos elevados de manutenção, segurança, estrutura de eventos e preservação do patrimônio. A empresa também afirma que cumpre as obrigações estabelecidas no contrato de concessão. As discussões com os clubes costumam envolver, entre outros pontos, o aluguel do estádio, a comercialização de produtos, o uso de áreas internas e a distribuição das receitas de bilheteria.

A defesa de Kalil ocorre em um momento em que o futuro da gestão do Mineirão permanece no centro do debate esportivo e político de Minas Gerais. A expectativa dos clubes é que qualquer revisão do modelo aumente a previsibilidade dos custos e estabeleça regras mais equilibradas para as equipes que utilizam o estádio.

Até o momento, a mudança do contrato depende de tratativas entre o governo estadual, a concessionária e os clubes. Não há, no entanto, alteração definitiva anunciada para substituir o modelo atualmente vigente.

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