
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) voltou a defender a separação entre a atuação religiosa e a disputa político-partidária. A entidade criticou o uso de igrejas, celebrações e estruturas pastorais para promover candidaturas e pediu que os eleitores avaliem propostas e históricos dos candidatos antes de votar.
A orientação faz parte da posição tradicional da CNBB sobre o período eleitoral. Embora reconheça a importância da participação dos cristãos na vida pública, a conferência afirma que os espaços de culto não devem ser transformados em palanques nem utilizados para favorecer partidos ou candidatos específicos.
Segundo a entidade, sacerdotes, agentes de pastoral e lideranças religiosas podem estimular a participação cidadã e o compromisso com o bem comum, mas devem evitar declarações que caracterizem apoio eleitoral direto. A recomendação também alcança o uso de púlpitos, celebrações, símbolos religiosos, materiais paroquiais e canais institucionais para a divulgação de campanhas.
A CNBB orienta ainda que os eleitores não escolham seus representantes apenas com base em mensagens compartilhadas nas redes sociais ou em discursos de líderes políticos e religiosos. Entre os critérios indicados estão o conhecimento das propostas, a análise da trajetória pública dos candidatos, o respeito à democracia e a atenção a temas relacionados à justiça social, à defesa da vida e à proteção dos direitos fundamentais.
A legislação eleitoral brasileira estabelece restrições à propaganda em locais de uso comum, categoria que inclui templos religiosos. A regra busca impedir que espaços frequentados pela população sejam utilizados para beneficiar candidaturas. A propaganda eleitoral irregular pode ser denunciada à Justiça Eleitoral, que avalia cada caso e pode determinar a retirada do material ou aplicar sanções previstas em lei.
A manifestação da CNBB ocorre em um contexto de preocupação com a influência de informações falsas e com a crescente politização de ambientes religiosos. A entidade tem defendido que debates sobre questões sociais e políticas sejam realizados com responsabilidade, sem constrangimento dos fiéis e sem utilização da fé como instrumento de pressão eleitoral.
Para a conferência, o voto consciente exige que o eleitor compare diferentes alternativas e considere o impacto das decisões políticas sobre toda a sociedade. A participação nas eleições é apresentada como uma forma de exercício da cidadania, mas não deve ser confundida com a adesão automática a orientações partidárias ou a candidatos indicados por lideranças.
A CNBB também ressalta que a liberdade religiosa inclui o direito de cada pessoa fazer suas próprias escolhas políticas. Por isso, a orientação é que igrejas acolham a diversidade de posições entre os fiéis e preservem as celebrações de manifestações de campanha.
As recomendações da entidade não substituem as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que regulamenta a propaganda e recebe denúncias sobre eventuais irregularidades. Candidatos, partidos e organizações religiosas devem observar as regras eleitorais vigentes durante todo o calendário oficial.



